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Capítulo 30 · Calendário

Alma dos pampas

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ALMA DOS PAMPAS

Os Gauchos

Ao Leovigildo Paiva

Noite de frio!

A serenada baixa

sobre a quincha dos ranchos, branca e fria!...

O vento gurne, cia e rodopia,

toldam-se os céus, alvejam-se as macegas...

e tudo aos poucos se enregela.

Esfria !...

Que frio!...

Tarde, em horas mortas,

correm na cancha os pingos parelheiros,

fogem as tropilhas e os baguaes se assustam...

"Lá fora

anda o Negrinho no seu pastoreio...

Quem lhe accende uma vela no caminho

para leval-a a sua Nossa Senhora?"

A noite sobe

e desce o frio!...

Na estrada sopra o minuano algissimo, inclemente.

E os Gauchos sentados junto ao fogo

churrasqueiam, cantando ao som da acordeona,

tomam o "amargo" e num pellego amigo,

pitam e descançam, sossegadamente.

Cedo, quando a orvalhada —

aos prestigios do sol em neblina de argento —

toda se pulveriza em ouro e águas marinhas,

ao rosicler da humida alvorada,

alegram-se as querencias e as mangueiras.

A invernada clareia. E em pérolas de orvalho

rorejam as sangas e o potreiro e os prados

amanhecem na festa e na alleluia

da vida e do trabalho.

E em pleno dia,

no azulado matiz das cochilhas longinquas,

pelo ondear dos campos e dos cerros,

em carreiras, tropéis,

vibrando as açoiteiras,

guascas em corropio, sovéos e boleadeiras,

passam ostentando o reluzente apeiro,

Os Gauchos mui guapos,

nos seus ligeiros fletes luzidios!...

Eu os vejo através da distancia!...

E que importa

si o ideal commum da Pátria os aproxima!

Quanto mais longe mais devotamento!...

Terra Bendita!

Terra que é minha e não conheço e adoro!...

Vendo-a — mesmo de longe — o meu olhar se estrella.

E ao meu amor, a distancia que importa

si a bemdizel-a eu morreria por ella?...

Que a minha voz de collina em collina,

de quebrada em quebrada,

de ranchinho em ranchinho,

desde os meus pagos — Paraíso Verde —

em orações de fé,

através das distancias do caminho,

chegue até vós — Gauchos da minha Terra —

porque sois para mim,

polvilhados de sol,

pelos pampas perdidos,

ou no encanto das noites constelladas,

— Sentinellas — heroicas e avançadas,

no mais Extremo Posto — bem no extremo

do Coração que é toda a Nossa Terra.

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Sinopse

Leia gratuitamente Calendário: Poemas e ilustrações, de C. Paula Barros, obra poética brasileira em domínio público. Esta versão modernizada e conservadora foi preparada para leitura online no Literunico a partir da fonte BLPL/UFSC, com preservação de versos, seções e características históricas do livro.

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