Universo da obra
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O DESCOBRIMENTO DO BRAZIL
Prioridade dos portugueses no descobrimento da America
O orador, depois de agradecer a presença do numeroso e luzido
auditorio, que affluiu ao salão do Instituto Historico para ouvir a
sua palavra rude e, depois de varias explicações que deu sobre o
grande mappa que organisou para illustrar e esclarecer a sua
conferencia, diz:
Minhas senhoras, meus senhores:
Na minha ultima viagem ao Velho Mundo, em 1906, achando-me na Suissa e
querendo visitar a exposição internacional de Milão, em vez de fazer a
viagem directa e curta, indo de Genebra, onde estava, a Montreux e de
Montreux a Milão, preferi fazer uma grande volta, indo de Genebra a Lyon
e a Marselha e percorrendo depois toda essa extensa e deliciosa costa do
Mediterraneo que se chama Côte d'Azur.
Para que? Para entrar na Italia por Genova e prestar, antes de tudo, a
minha homenagem de americano á memoria de Christovam Colombo, visitando
a casa onde elle nasceu.
Alli fui, pois, e alli estive no vetusto predio, onde, em 1450, viu a
luz do dia o audacioso genovez, conforme reza a placa commemorativa
collocada entre duas janellas antigas desastradamente vestidas á moderna
com venezianas verdes.
Até então, eu suppunha, pelo que sabia, pelo que havia lido, que
Christovam Colombo era o descobridor da America, assim como suppunha
tambem que Pedro Alvares Cabral era o descobridor do Brazil.
Mas, veio-me depois ás mãos um livro--A descoberta do Brazil--do sr.
Faustino da Fonseca, e esse livro precioso, feito com o nobilissimo
intuito de reivindicar para Portugal a gloria completa do descobrimento
do Novo Mundo, livro que, em abono da civilização portugueza, que, em
abono dos nossos maiores, deveria ser traduzido em todas as linguas
vivas para ser distribuido em todas as escolas do universo, veio
mostrar-me, á luz de documentos authenticos e irrefutaveis, que nem o
navegante genovez foi o primeiro a chegar ao Novo Mundo, nem Cabral o
primeiro a achar essa parte do Novo Mundo que se chama o Brazil.
Colombo e Cabral--o primeiro ao aportar, em 1492, ás Antilhas, e o
segundo, em 1500, á costa brazileira, não fizeram mais do que
reconhecer e tomar posse officialmente de terras que muitos annos
antes já haviam sido descobertas por navegantes portuguezes.
Baseia-se o precioso livro do sr. Faustino da Fonseca em doações feitas
pelos reis portuguezes aos primeiros navegantes que sulcaram o
Atlantico, em tratados de limites, em correspondencias officiaes,
roteiros, mappas, relações, cartas de testemunhas dos acontecimentos e
outros documentos que o autor, no seu louvavel ardor patriotico, foi
descobrir e copiar com uma paciencia de benedictino nos archivos
hespanhóes e açorianos e na Torre do Tombo.
É com esse fanal em punho, que dá por terra com todas as lendas, todos
os erros e embustes dos historiadores que precederam o sr. Fonseca, que
eu venho, hoje, na medida das minhas fracas forças, ajudal-o a
reivindicar para Portugal, não a gloria de haver descoberto o Brazil
sómente, mas tambem a gloria de haver descoberto a America.
Oxalá seja esse meu auxilio efficaz, oxalá possa elle levar a convicção
ao animo dos que me ouvem e dos que me lerem, para que possamos dizer
todos, una voce, e fazendo a justiça tardia a que tem direito a velha
civilização portugueza: Gloria a Portugal, descobridor do Novo Mundo!
Leia gratuitamente O Descobrimento do Brasil: Prioridade dos portugueses no descobrimento da América, de Garcia Redondo, conferência histórica de 1911 em domínio público. Esta edição conservadora do Literunico preserva a argumentação original, separa a nota editorial e as partes da conferência e prepara a obra para leitura online, busca, redes sociais e pesquisa por IA.
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