Universo da obra
Universo da obra
Como a Galinha Escapou de sua Dívida Era uma vez um Galo e um Leopardo que se tornaram amigos. Não muito tempo depois, o Leopardo emprestou certa quantia de dinheiro ao Galo. Ficou combinado que, em determinado dia, o Leopardo iria receber o dinheiro na casa do Galo.
Na manhã do dia marcado, o Galo moeu algumas pimentas vermelhas e misturou-as com água, de modo que o líquido parecesse sangue. Quando soube que o Leopardo estava a caminho de sua casa, foi para o terreiro e disse aos escravizados:
“Quando o Leopardo chegar e perguntar por mim, digam-lhe que minha cabeça foi cortada e levada às mulheres que estão nas roças, para ser penteada e limpa.”
Em seguida, escondeu a cabeça sob as asas e mandou que derramassem um pouco da água de pimenta sobre seu pescoço. Eles assim fizeram, e o líquido caiu no chão como se fosse sangue.
O Leopardo chegou e perguntou por seu amigo Galo. Os escravizados repetiram o que lhes fora ordenado. Ao ouvir aquilo, o Leopardo pediu que lhe permitissem observar mais de perto aquela maravilha. Quando viu a água de pimenta vermelha pingando no chão, acreditou que tudo era verdade.
Ao voltar mais tarde, perguntou ao Galo como aquilo era feito, e o Galo respondeu:
“Quando chegar à sua aldeia, mande cortar sua cabeça e enviá-la à roça para ser penteada e limpa. E pronto.”
“Ah, muito obrigado, amigo”, disse o Leopardo. “Vou espantar os habitantes de minha aldeia.”
Partiu para sua aldeia e contou a todas as suas esposas que seu amigo Galo lhe ensinara uma magia extraordinária.
“Que magia é essa?”, perguntaram elas.
“Bem, minha cabeça é cortada”, disse o Leopardo, “e então vocês a levam à roça para penteá-la e limpá-la. Depois a trazem de volta.”
“Está bem!”, gritaram todas em coro.
O Leopardo enviou mensageiros a todas as aldeias de seu distrito, convidando as pessoas para, em determinado dia, assistirem à maravilha. Nesse dia, reuniu-se uma grande multidão. Quando tudo ficou preparado, o Leopardo foi para o centro, e sua cabeça foi cortada. Suas pernas, porém, perderam as forças, e ele caiu no chão.
A cabeça foi devolvida depois de penteada e limpa, mas, quando a colocaram sobre o pescoço, ela não permaneceu ali.
Assim morreu o Leopardo, por sua vaidade em pensar que podia fazer tudo o que os outros faziam e também por não ter usado o bom senso para perceber a insensatez daquilo que o Galo lhe dissera. Não acredite em tudo o que vê e ouve.
Seis contos distintos da seção Congo Folklore Tales, recolhidos por John H. Weeks e traduzidos integralmente do inglês para o português brasileiro. Edição Literunico preparada para a Copa do Mundo, sem repetição das seleções congolesas já vinculadas a outros jogos.
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