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Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro

@ CrisRibeiro

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LITERÁRIA

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25/0409:13
#Desafio 114 de

365 dias de 💞 ⛵️🦊💞

Entre Mentes: Bicho e Verso.

Bicho esperto
bicho do mundo:

tundra
floresta
deserto
montanha

onde o silêncio dança com o vento
e a solidão é só mais uma forma
de liberdade.

Ela
raposa de olhos atentos
sina de errância

mora em si
mas sabe partir

inteira
altiva
se recolher
sem se render.

Não permite a doma
é feita do selvagem:

faro de alma
fareja o que pulsa
o que vibra
o que dói bonito.

E foi ali
na curva de uma noite cheia
cheia de folhas
de luas
de vontades

que o poeta
surgiu

perdido num quase-suspiro
vagando entre páginas soltas
e noites sem fim

castelos de papel nos olhos
delírio de amor nos dedos.

Ele falava com as estrelas
e escrevia com as entranhas

amava como quem reza
bebia palavras como vinho forte
e chorava beleza.

Ela o olhou
e viu o mundo escorrendo pelos olhos dele.

Ele a leu
como um poema esquecido no bolso:

amassado
verdadeiro
inesperadamente necessário.

Entre um “oi, moço”
e um “virei tua fã”

nasceu o improvável:

o enlace nu entre duas fomes.

Corpos pagãos
mentes em chamas

um alfabeto novo
inventado na pele.

Excesso se amando
falta se acolhendo

promessas sussurradas
entre dentes

devota mente
devotamente.

Porque o poeta
ah
o poeta também era bicho;

raposa do verbo
selvagem da metáfora
caçador de belezas tortas.

E quando a escreveu
não foi com tinta

foi com saliva
com calor
com espasmo.

Ele a fez casa.
Ela o fez rito.

Um no outro
foram altar
e oferenda.

E ele levou pra si
o que nem sabia querer:

o corpo
a alma
a paixão dela inteira.

Assim,
no tempo em que a Terra
dança em volta do Sol seduzindo

ela gira dentro dele:

cativa
e livre

casta
e nua

tua
tão tua
e só tua.

Cr💞s Ribeiro
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19/0414:39
#Desafio 109

O Sal do Teu Riso

Sonho um café contigo. Não desses corridos, com xícaras nervosas e olhares no relógio. Um café sereno. Sem ontem, sem depois. Apenas agora. E o mar.

Ali, diante das ondas, a alma se deita como quem se despe: sem medo do sal, sem medo de si. O tempo, esquecido de sua função, desaprende a andar. Tudo respira mais lento, no compasso de um instante que parece eterno.

Quero tua rima. E teu caos. Sem molduras. Inteiros, desordenados, belamente reais. Quero teus amores costurados às pressas, tuas dores deixadas na beira da cama, tuas pausas longas e aquele silêncio; não o que cala, mas o que grita por dentro.

Desejo tua risada. Aquela tímida, quase tímida demais para existir. Aquela que chega devagar e, sem pedir licença, acende o que estava apagado. Pedra preciosa perdida no meio de um dia qualquer. Um milagre sutil de um mundo que ainda sente.

Sem pressa.
Sem pose.
Sem filtro.

Depois, caminhar contigo. Passo ao lado de passo. Na areia. No vento. Na entrega. O coração, enfim, descalço. E que o silêncio diga o que falta, não com palavras, mas com presença.

Ao fim, nós dois. E o céu virando verso diante dos nossos olhos. O sol se retirando com elegância, a lua chegando de mansinho. E entre eles, esse intervalo sagrado que ninguém sabe explicar, mas que o corpo entende.

Cumplicidade.

Essa forma de amor que não grita, mas invade.
Que não prende, mas abriga.
Que chega feito maré mansa,
ocupando os vazios com tudo aquilo que o mundo esqueceu…

Com tudo o que somos,
juntos,

você e eu.

Cr💞s Ribeiro

***Um poema revisitado em prosa poética.

@Albertobusquets, todo seu!
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