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Lidiane Queiroz Bastos

@ calorliterario_

Nível
2
Essência
🔥 Fogo
Ritual
0 Dias

Patrimônio

0.0 LC

ESTRADA

LITERÁRIA

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26/0621:56
Era noite, mas poderia muito bem ser eternidade.
O quarto carregava o cheiro doce da pele dela misturado com o sal da minha. Um perfume que não se vende, não se descreve, só se sente quando duas bocas se reconhecem antes mesmo do toque.
Quero me enroscar no teu corpo nu, pensei, mas não disse. Não precisava. Ela sabia. Os olhos dela denunciavam a fome e a entrega, como se cada parte de mim fosse um pedaço de fruta madura prestes a ser colhida e chupada.
Me aproximei, sentindo a temperatura da pele aquecer o ar entre nós. Deslizei as pontas dos dedos pela curva do ombro, descendo sem pressa, como quem decora um mapa antes de partir. E quando os lábios se encontraram, o mundo calou. Só existia a respiração acelerada, a pele arrepiada, a urgência mansa de quem sabe que o tempo ali é só um detalhe. Dedos, mãos tão adestradas buscavam o esconderijo … (sedenta)
Dela bebi a seiva que escorreu algumas vezes (perdi as contas) e me embriaguei, viciei. Um gosto de madrugada, de desejo sem censura. A língua passeava como quem descobre um segredo antigo, desejado e os gemidos vinham como preces sussurradas, pedindo mais, implorando, clamando, querendo.
Saciei a sede e criei outras. Porque com ela, cada toque é um convite. Cada beijo, uma promessa. E não há palavra que baste quando a carne fala, quando o suor mistura e o corpo pede e entrega e toma.
Naquele instante, éramos só nós. Tesão, suor e sal.
E a vontade de nunca mais amanhecer.
Te olhar e não querer novamente foi um sacrifício, paguei meus pecados, desejo encurralado e
bucetinha molhada e o cuzinho piscando ao lembrar de tudo que vivemos.
Quero mais…
quero sempre…
quero você …

Vem!?
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16/0513:30
Se falar dói.
Calar, então, corrói.
É estranho existir num mundo que pede pressa, mas nunca escuta. Todo mundo quer saber como você está, mas não se espera pela resposta inteira. E, se por acaso você resolve dizer, sente a garganta arder, porque dói abrir o peito e o sentimento.
Se respirar cansa, não respirar mata. Vivo correndo de um lado para o outro, tentando dar conta de tudo, às vezes esqueço de mim. Respiro pela metade, sorrio no automático, existo no intervalo entre uma obrigação e outra. O tempo virou inimigo e no entanto, eu sou refém dele.
A vida virou essa mistura de “vai logo” com “por que você não veio antes?”. De “preciso de você” com “não tem como ser depois?”. De “cuide de você” com “não pode faltar amanhã”.
Se pedir ajuda pesa, carregar sozinha afunda.Vou assim equilibrando as dores que não contei pra ninguém, os cansaços que disfarcei, os medos que guardei. Pq dizer que está difícil, às vezes, é mais difícil do que o próprio difícil.
Se lembrar dói, esquecer destrói.
Tem dias que a memória aperta, traz aquele cheiro, aquela frase, aquele olhar. E eu queria esquecer, mas esquecer seria apagar também as partes boas, as risadas que me salvaram em tardes inteiras, os detalhes pequenos que me diziam: fica.
Só que ficar cansa. Ir embora também.É essa dança entre o tudo e o nada. Entre querer colo e se fechar. Entre precisar de um abraço e não saber pedir. Entre ser forte porque é o que esperam e querer desabar porque é o que se sente. Se viver assim sufoca, viver de outro jeito parece que não dá.
Mas, no meio desse caos todo, a gente segue. Às vezes respirando fundo. Às vezes fingindo que não sente. Às vezes chorando no chuveiro para ninguém ver.
Porque, no fim, ninguém entende e quando entendem, já é tarde.
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17/0303:15
A dor me acordou antes do sol. Não foi um chamado abrupto, desses que fazem o coração disparar no susto. Foi um toque insistente, como alguém que sabe que não deve estar ali, mas também não vai embora.

De olhos ainda pesados, tentei ignorá-la. Rolei para o outro lado, puxei o cobertor, fechei os olhos com força, como se isso fosse suficiente para convencê-la de que não era bem-vinda. Mas a dor tem paciência. Sabe esperar. Sabe sussurrar no escuro até que a gente não tenha escolha a não ser escutá-la.

Ela não veio do corpo. Ou talvez tenha vindo e eu só tenha aprendido a senti-la de outro jeito. Sei que estava ali, pulsando no peito, nos pensamentos, no espaço vazio ao lado. Sei que era antiga, mas também nova. Uma dor conhecida, vestida com outra roupa.

Levantei. Senti o chão frio nos pés. Caminhei pela casa em silêncio, como se não quisesse perturbar as coisas que ainda dormiam. A cidade ainda não existia por completo. Havia só o silêncio, cortado aqui e ali pelo som de um carro distante, o barulho de árvore que o vento tocava.

A dor caminhou comigo. Não me disse nada. Apenas ficou. E eu, em vez de expulsá-la, fiz café. Sentei-me com ela. Olhei pela janela. Esperei.

A dor me acordou antes do sol. Mas eu, pela primeira vez em muito tempo, não tentei adormecê-la.

Estou cansada até pra isso, mais tarde uma agenda cheia de compromissos e eu já pensando em como de desvencilhar de todos de uma única vez….

Agora aqui às 03:15 acordada com a dor.
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