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Carla Torres Pereira Carrion

@ carlajaia

Nível
2
Essência
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ESTRADA

LITERÁRIA

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20/0114:02

Meus contos

Falando um pouquinho do meu trabalho mais recente, estou escrevendo um livro de contos que abordam traumas e diversas formas de amor, não se restringindo ao romântico. Como grande parte dos escritores, não vivo da arte. Sou psicóloga e estudo traumas em profundidade. Ao mesmo tempo, como toda pessoa tenho os meus. E é do fundo dessa alma confusa que tiro ideias para as histórias. É também por conhecer e amar gente.

O primeiro dos contos que escrevi para este livro se chama Cachorros mutilados não conseguem se queixar. Conta a história de Maya, sobrevivente de um acidente grave que perde a voz e, com apoio psicológico no CAPS e afeto de pessoas queridas, aos poucos retoma sua vida, sua fala e sua capacidade de se conectar com o outro.

O segundo se chama Amores gêmeos, e conta a histórias de almas gêmeas fraternas. Layla e Jonas dividiram o útero da mãe, em placentas diferentes, e são unidos desde sempre por um amor imensurável. Assim, sobrevivem a uma infância traumática e se apoiam nos momentos mais difíceis. Mas o que acontece quando irmãos tão amigos precisam se separar?

O terceiro se chama Menino Deus e conta a história de Emanuel, um menjno de 8 anos que descobre que sua mãe tem um câncer agresssivo. É também a história de Maria Luz, sua jovem mãe, que se depara tão cedo com a finitude. E de Selene, irmã de Maria e tia de Emanuel, uma médica independentemente que nunca quis ter filhos até se encontrar diante da difícil arte de maternar sua irmã e seu sobrinho. Uma história de amor e luto que traz uma sagrada família não tradicional e disposta a fazer esforços por amor.

E aí? Tem interesse em ler algum?

Daria apoio se eu colocasse aqui?
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13/0119:16

Como brincar de Deus

Diga, em voz alta, o nome das palavras. Permita que se formem diante de você, vistosas, pálidas, tortas, reluzentes. Deixe que derramem do seu livro de química as letras de uma tabela que mandaram decorar. Diga o nome do átomo da vida e perceba se ele bate mais forte que as asas de um beija-flor. Separe o beijo da flor e coloque um par de amantes para dançar. Ou um trio. Multiplique os amantes por sessenta, a idade da sua mãe. Grite a palavra velho e perceba seu próprio rosto ganhando marcas. Sussurre tempo e lance-o ao vento, permitindo que eras infinitas se formem diante de seus olhos. Assuste-se perante o infinito porque ele carrega o medo da morte e daquilo que vem depois. Converse com espíritos. Se apaixone por fadas. Deite-se no colo manso de uma sereia sáfica. Torne-se a esposa do demônio e vislumbre as inúmeras faces dele diante de você. Inclusive a mais bela, a de anjo-menino. Recite seu próprio nome como se fosse poema e brinque de ser musa com as rosas que nascerem de seus cabelos. Murmure sexo e examine com cuidado um quadro de Zeus chovendo dourado sobre Danae. Ou tentáculos saindo de sua própria vulva. Ria de si mesma. Peça ao seu amor para debruçar-se sobre você. Caia do décimo andar e pouse lentamente em um clipe de Rosalía. Cavalgue um homem. Mate alguém. Porque a palavra morte faz a noite vir. Acelera seu peito. Anuvia seu coração. E, pouco a pouco, você se encontra deitada em um caixão. É você a vítima. A algoz. E também a salvação. Com o nome das coisas você constrói galáxias e destrói universos. Você é multiversal. Pois nunca deixou de ser criança. Aquela que pintava de negro e roxo as pétalas das flores e as fazia voar feito deusas de um culto ancestral. A criança louca. Venerando a madrugada.

Carla Carrion
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