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EDER BERALDO JUNIOR

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13/0408:13
Dia do Hino Nacional

Vamos lá...

"Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / De um povo heroico o brado retumbante"

Aqui parece lindo: o povo brasileiro gritando liberdade às margens do Rio Ipiranga. Só que... não foi o povo. Quem, talvez, tenha gritado, não como na pintura do quadro de Pedro Américo, independência foi Dom Pedro I, um príncipe europeu, filho do rei de Portugal. O povo mesmo? Seguiu pobre, escravizado e explorado.

Esse "povo heroico" nem sabia o que estava rolando.

"E o sol da liberdade, em raios fúlgidos / Brilhou no céu da pátria nesse instante"

Liberdade pra quem? Porque quando o Brasil virou independente de Portugal, a escravidão continuou firme e forte por mais de 60 anos. A liberdade que o hino canta aqui é uma liberdade da elite, da monarquia, dos donos de terra. Não era do povo preto, dos indígenas, nem dos pobres.

"Se o penhor dessa igualdade / Conseguimos conquistar com braço forte"

Qual igualdade? O Brasil nasceu desigual. Concentrando terra, dinheiro e poder nas mãos de poucos. O braço forte que eles falam pode ser dos bandeirantes matando índios para desbravar as terras e converter os locais ao catolicismo. Violência, não justiça social.

"Entre outras mil, és tu, Brasil, ó Pátria amada"

Beleza, amamos o Brasil. Mas o Brasil sempre foi feito pra poucos. Enquanto um canta "pátria amada", outro passa fome. Não dá pra romantizar sem encarar a verdade.

Segunda parte...

> "Deitado eternamente em berço esplêndido"

Sabe o que é esse "berço esplêndido"? É a terra rica em ouro, diamante, madeira, café, petróleo, tudo sendo explorado desde sempre. Primeiro por Portugal, depois por elite interna, depois por empresas estrangeiras. O Brasil deitado... enquanto outros vêm e levam.

"Teus risonhos, lindos campos têm mais flores"

Tem sim. Mas também tem gente sendo expulsa do campo. Tem grileiro, tem desmatamento, tem indígena sendo morto pra que o agronegócio continue ganhando bilhões.

"Verás que um filho teu não foge à luta"

Essa parte é forte. O povo brasileiro realmente luta. Mas não deveria precisar! É um chamado do poder para que, agora sim, o único momento em que o povo é lembrado, eles seja usado pelos governantes para alguma luta dos interesses dos poderosos.
O espírito de um nacionalismo sendo enraizado para uma ideia de domínio.

Nosso hino realmente foi feito para parecer lindo e emocionante, mas tenta nos enganar o tempo todo!
Que possamos superar nossos principais problemas para que em algum momento possamos voltar nossos esforços para a criação de um novo hino, mais condizente com seu povo.
MULTIMÍDIA
MULTIMÍDIA
12/0410:54
#ChicoAnysio
09/0423:36
O problema é que justamente o que nos faz sermos adaptáveis com muita facilidade, e é uma vantagem biológica, ao mesmo tempo nos faz não conseguir sermos de uma coisa só. Nos condicionamos socialmente para escolhas de uma vida, mas essa dedicação exclusiva parece não estar no nosso DNA, até porque a felicidade não é definitiva, ela é momentânea, como uma fotografia.
Somos bichos de muitos mundos.
Ser de uma coisa só... soa quase como mutilação pra quem nasceu vasto.
A sociedade nos ensinou essa história do "Escolha UMA coisa, siga UMA trilha, seja UMA versão de si"... mas nós? Nós somos caleidoscópios ambulantes. Feitos de mil pedaços que giram conforme a luz e o momento.
Como é que alguém que carrega dentro de si desertos, oceanos, cidades e florestas pode querer se reduzir a um único mapa?
E se a felicidade é fotografia...
Ela nunca é filme contínuo...
Cliques roubados de um instante em que tudo se alinha, e logo depois volta a bagunça que fazemos de viver, nascemos pra ser um estúdio inteiro de fotografias internas.
Viajantes de nós mesmos, entendendo que o valor da caminhada não está só no destino… mas em conseguir se encantar, mesmo cansado, por cada nova paisagem que aparece do lado de dentro.
Talvez o que o mundo espera de nós não seja foco…
Mas um estilo próprio de transitar entre suas muitas versões, sem culpa.
Com verdade. Com presença.
E você percebe o tamanho da beleza que carrega?
Se tua vida fosse um livro de fotografias desses momentos raros de felicidade…
Qual seria o nome do livro?
MULTIMÍDIA
09/0423:24
#CharlesBaudelaire
MULTIMÍDIA
09/0423:10
==
08/0422:18
Eu não quero ficar velho
por mais que o tempo me chame.
Não quero ver meus olhos embaciando
o que antes era brilho virando névoa,
nem meus passos vacilando
onde um dia corri, sem medo, sem pressa.

Eu não quero ficar velho
com os dedos duros como raízes secas,
tateando lembranças
em vez de futuros.
Nem ver meu nome sendo dito
com um “foi” invés do “é”.

Não quero que os risos soem baixos
porque meu ouvido já não alcança,
nem que o espelho me devolva um estranho
com a pele marcada por ausências,
com os ombros caídos pelo peso
do que não deu tempo de ser.

Eu não quero o silêncio das mãos
que já não escrevem,
que já não seguram outros mundos,
que tremem como folhas no outono,
sabiamente frágeis.

Não quero enterrar tantos nomes
que o coração se esqueça
de como é se apegar.
Nem guardar aniversários
de quem já não sopra velas.

Mas talvez, se ficar velho,
quero ao menos deixar rastros:
um texto,
um feito,
um afago que não se apaga.
A filha que me lembre
sem precisar de fotografia.
Um livro esquecido numa estante,
que alguém descubra e chore.

Se é inevitável envelhecer,
que eu aprenda com suavidade
a arte de deixar sementes
em lugares onde jamais voltarei.

Que eu prepare com cuidado
meu coração, meu legado,
para que alguém me encontre
nas páginas que sobrevivi.

Que eu aceite a despedida
não como o fim da história,
mas como pausa serena
de quem soube amar o caminho.

Eu não quero ficar velho,
mas se eu tiver que ir aos poucos,
que eu me vá sabendo
que o que deixei no mundo
permanece em flores,
em versos, em gestos,
em memórias mais fortes
do que a do indivíduo.

E que, ao fim,
quando minha voz for quase vento,
haja quem diga:
“Ele não queria ficar velho,
mas mesmo velho, do pra sempre ele ficou.”

Eder B.Jr.