Entre a Corrente e a Chama
O capitalismo, figura possessiva e cruel,
Com suas garras me prende, infiel.
Cobra-me o tempo, a alma e o suor,
E me afoga em tarefas, sem dó nem pudor.
Seus olhos me vigiam, frios e exigentes,
E me cobram perfeição, incessantemente.
Com ele, a vida se torna um fardo pesado,
E me sinto preso, amarrado e sufocado.
Mas eis que surge, no horizonte da semana,
A sexta-feira, a amante que me chama.
Com seu sorriso de fogo, me desamarra,
E me leva para um mundo que me agrada.
Seus braços me envolvem, quentes e macios,
Me entrego de corpo e alma, sem receios
Me afogo em beijos, lascivos e ardentes.
Com ela, me sinto livre, leve, solto e contente.
A sexta-feira me liberta da prisão,
E me leva para um paraíso de paixão.
Com ela, a vida se torna uma aventura,
E me sinto vivo, intenso e sem censura.
Seu toque me acende, me excita, me inflama,
E me entrega ao prazer, sem nenhum drama.
Com ela, me atiro de corpo, alma e coração,
E me afogo em seus desejos, com tesão.
Porém, o capitalismo, ciumento e vingativo,
Me espera na segunda, com seu ar altivo.
E a sexta-feira, amante fugaz, se vai,
Deixando-me órfão, com a alma em contradição.
Mas a chama da paixão que ela acendeu,
Em meu coração, para sempre te chama,
E a doce esperança de reencontrá-la,
Me mantém forte, até o próximo fim de semana.