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Eder B. Jr.

@ literunico

Nível
14
Essência
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LITERÁRIA

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24/0515:41
#Link365TemasLivros
#Desafio365Livros
Dia 05
Comente na Biblioteca em um livro cuja força esteja não nas palavras, mas nas imagens, obras onde a fotografia, a ilustração ou o traço sejam essenciais para transmitir a mensagem.
(Vale comentário em marcação de Lido ou em Leitura e resenha, não esqueça de marcar a caixa de compartilhar no perfil)

#Desafio365postagens

Dia 143
O Olhar Que Fala

Antes da palavra, a imagem.
Antes do discurso, o suspiro,
Um instante roubado ao fluxo do tempo,
Preso no silêncio de quem vê,
De uma voz que nunca se cala.

A fotografia não explica,
Não justifica, não traduz.
Ela se impõe.
Seja lágrima, seja luz,
Ela imprime no olhar do outro
O que o mundo insiste em esquecer.

Eder B. Jr.

Indicação do @literunico
#Gênesis

Status da Leitura: Lido

Detalhes do Livro: Gênesis


Gênesis, de Sebastião Salgado, é uma obra monumental que transcende os limites da fotografia documental para se tornar um poderoso manifesto visual em defesa do planeta. Publicado pela editora Taschen em 2013, o livro é resultado de um projeto que levou o fotógrafo a percorrer, ao longo de oito anos, mais de 30 regiões remotas do mundo em busca de paisagens, animais e culturas humanas ainda preservadas da intervenção moderna.
Após anos documentando guerras, fome e migrações forçadas, Salgado enfrentou um esgotamento físico e emocional. Ao retornar à fazenda de sua família em Aimorés, Minas Gerais, encontrou a terra devastada pela degradação ambiental. Junto com sua esposa, Lélia Wanick Salgado, iniciou um projeto de reflorestamento que deu origem ao Instituto Terra, restaurando a Mata Atlântica local. Essa reconexão com a natureza inspirou Gênesis, uma busca pelas paisagens, animais e culturas humanas ainda preservadas da intervenção moderna.
O livro reúne mais de 200 fotografias em preto e branco, capturadas em locais como a Antártida, as florestas da Amazônia, o deserto do Saara e as ilhas Galápagos. Salgado retrata tribos indígenas, animais selvagens e paisagens intocadas, revelando a beleza e a fragilidade do nosso planeta. As imagens são divididas em cinco seções geográficas: Planeta Sul, Santuários, África, Espaços do Norte e Amazônia e Pantanal. A curadoria e o design do livro foram realizados por Lélia Wanick Salgado, sua parceira de vida e trabalho.
Gênesis não é apenas um registro visual; é um manifesto ecológico e humanista que convida à reflexão sobre a urgência de preservar o que ainda resta de puro no mundo. O projeto foi amplamente exibido em museus e centros culturais ao redor do mundo, incluindo o Museu de História Natural de Londres e o Museu do Amanhã no Rio de Janeiro.
Em 23 de maio de 2025, Sebastião Salgado faleceu aos 81 anos, em Paris, devido a complicações de uma leucemia decorrente de uma malária contraída durante as expedições de Gênesis. Sua obra permanece como um legado poderoso de beleza, consciência e resistência.
Gênesis é uma obra que merece um lugar de destaque em qualquer coleção, seja de fotógrafos, ambientalistas ou amantes da arte. Não apenas pela qualidade técnica das imagens, mas pela mensagem urgente que carrega: a necessidade de reconectar-se com a natureza e preservar o que ainda resta de intacto em nosso planeta.

#resenhas #Gênesis
📖 [Ver livro](https://www.literunico.com.br/books/737)
22/0520:25
#Link365TemasLivros
#Desafio365Livros
Dia 04
Comente na Biblioteca em um livro que explore a ideia de "um lugar que é personagem", quando o espaço não é apenas cenário, mas atua, transforma, determina a história.
(Vale comentário em marcação de Lido ou em Leitura e resenha, não esqueça de marcar a caixa de compartilhar no perfil)

#Desafio365postagens

Dia 142
O Lugar Que Respira

Nem pedra, nem rua, nem floresta estática:
o espaço envolve, respira, ordena.
Não abriga somente, mas provoca.
É o lugar que, personagem, envenena.

Ou acolhe, ou devora, ou salva,
mas nunca é indiferente à trama.
Quem ali entra, nunca mais se cala:
o espaço é voz, é fúria, conclama.

Eder B. Jr.

Indicação do @literunico
#Cemanosdesolidão

Status da Leitura: Lido

Detalhes do Livro: Cem anos de solidão

Macondo não é só um lugar, é um estado de espírito, uma permanência que se insinua e contamina, uma entidade viva que assiste e intervém. A cidade emerge como um organismo que observa silencioso, transforma quem o habita e se encerra em sua própria clausura de mito e esquecimento.

A família Buendía, enredada nesse espaço, desfila suas gerações como quem repete um rito inconsciente, uma dança involuntária na qual cada passo parece previsto, mas nunca completamente compreendido. O tempo se comprime, avança em círculos, se nega a obedecer à linearidade que se espera da vida comum. Aqui, passado e futuro não são linhas, são névoas que se dissolvem e reaparecem quando menos se espera.

O real se acomoda ao insólito com a naturalidade de quem não precisa se explicar. Homens que ascendem ao céu, mulheres que sangram anos, crianças que nascem com caudas, um alquimista que se recusa a morrer. Não há surpresa, porque o mundo de García Márquez não busca lógica, mas intensidade, e nela reside sua força.

Ler este livro é experimentar uma sensação de inevitabilidade, como se os destinos traçados nunca pudessem ser outros, mas ainda assim cada pequeno gesto carregasse uma centelha de resistência, um desejo mudo de romper o ciclo.

Macondo morre, mas não sem antes se deixar gravar na memória de quem ousou percorrê-lo. O leitor, ao fechar o livro, entende que não há solidão maior do que a de quem esquece sua própria origem, e não há maior condenação do que não reconhecer o eco dos próprios erros.

"Cem Anos de Solidão" não é apenas uma narrativa sobre uma família, mas sobre a fragilidade e a persistência daquilo que nos constitui, sobre o quanto somos parte de lugares que nunca nos deixam completamente, mesmo quando acreditamos ter partido.