GATILHO: VIOLÊNCIA FÍSICA CONTRA MENOR DE IDADE, HUMILHAÇÃO PÚBLICA DIRIGIDA A MENOR DE IDADE!!!
Querida chatice que devo me acostumar…
Estava planejando começar contando sobre como era quando bebê — de acordo com as criadas que me supervisionavam nessa idade — mas eis que o senhor Deus aqui disse: “Povo vai se entediar horrores, faz outra coisa”
Aí tive que pensar no que dizer, porque aparentemente até para contar a própria vida o diário tem a obrigatoriedade de ser exigente. Pode uma coisa dessas?
Não tendo muita escolha, andei até um dos acentos e fiquei jogada em um sofá. Peguei você, e fiquei pensando com minha mente o que em santa consciência um ser humano, ou um Hevoniano, gostaria de ver na sua segunda página.
Considerei primeiro contar em formato de fofoca pros leitores, mas não sei fazer isso direito, então depois de muito refletir em minha mente perturbada finalmente decidi qual seria a melhor opção.
Não mostrem essa página para aquele desgracento, ele vai me xingar dizendo que peguei pesado muito cedo.
Era a minha festa de aniversário de cinco anos…
Normalmente crianças dessa idade devem brincar na areia, no jardim ou colorindo seus bonecos com “maquiagem” de canetinha.
De certa forma eu estava, de fato, me divertindo, correndo pelo salão com as outras crianças dos nobres puxando um caminhãozinho com a corda fina — um presente de um filho de algum daqueles fanfarrões que confundiu a aniversariante, achando que seria um menino.
Nem me importei na verdade, o abracei, agradeci pelo presente, mas vi o garoto sendo repreendido pelo pai como se ele tivesse cometido um pecado capital, fiquei com vontade de confortá-lo, mas algo me dizia que era melhor não me intrometer.
Hesitante, parei de olhar a cena e deixei de lado, decidi me divertir com os outros. “Problema dos outros não eram problema seu”, é o que o meu tio vivia dizendo. E talvez fosse errado ouvir um conselho daqueles, mas eu era uma criança, relevem.
No momento que ocorreu a grande explosão — como gosto de chamar — estava brincando de pega-pega com algumas garotinhas. Talvez fosse por estar correndo muito rápido ou fazendo um pouco de barulho com o caminhãozinho, mesmo assim, nada justifica…
Por minha rapidez, esbarrei em uma mulher alta, quando olhei pra cima, vi que era minha mãe, sorri para ela e me curvei em respeito.
— Desculpa mamãe! Acabei correndo rápido demais! — falei com um sorriso ainda um pouco afoito pela corrida.
Agora me diga, meu querido diário, uma criança tromba com a mãe, pede desculpa e já ia voltar a brincar… Normalmente a progenitora da criança iria apenas rir e depois voltar a conversar com quem estava, não é?
Mamãe estava falando com papai. Ele estava com a expressão séria de sempre, mas, por algum motivo, parecia ainda mais carrancudo naquele momento.
Um minuto eu estava indo me virar para as garotas.
Em outro, recebi um tapa no rosto tão forte que quase me fez cair no chão.
O som foi alto e não levou meio segundo para vários olhares estarem sobre mim e em Estelar, minha mãe.
Solucei sem pensar, lágrimas começaram a se formar na beirada dos meus olhos e escorrer por minha face, minha bochecha estava avermelhada e ardendo.
Mas ninguém apareceu entrar em pânico ou sequer vir ao meu socorro.
Funguei várias vezes, segurando o local onde fui acertada, ainda não crendo o que tinha acabado de acontecer.
“Será que Heri está me fazendo ter um pesadelo vívido demais?” Pensei, finalmente erguendo meu olhar e encontrando o de minha mãe.
— Pare de chorar, Elizabeth! Você já tem cinco anos, já é hora de amadurecer e parar com essa estupidez! — estremeci com seu tom de voz, tão frio e cortante para a própria filha.
Hesitante e ainda tremendo, esfreguei meus olhos até secar as lágrimas, ardeu, mas parei de lacrimejar.
Meu olhar desceu pro chão, ainda não conseguindo processar.
Respirei fundo, fungando ainda, queria que meu corpo parasse com aquele som de choro, talvez pelo barulho da minha respiração ou de como estava tremendo… ela me batesse mais. Me machucasse de outra forma ou fizesse algo ainda pior.
Engraçado que eu nunca tive esses pensamentos.
Estranho que aquela mulher nunca havia feito aquilo, falado daquele jeito ou sequer… me fazendo querer desaparecer…
— Você vai ser a futura Imperatriz deste Império, Elizabeth — diz, entredentes, gritando para que seja ouvida — Aja como tal, não me importa se você ainda tem cinco anos. Já passou da hora de parar de agir como uma pirralha — fiquei em silêncio, ainda tentando diminuir os batimentos frenéticos de meu coração.
— S-Sim, eu pararei mamãe, eu não vou ser mais assim… — eu disse, mas não sabia exatamente o que deveria não ser, ou o que não deveria mais fazer.
Só queria chorar na minha cama.
Ir embora dali.
Parar de estar na presença dela, porque isso significava que aquela mulher ainda podia me agredir. Mesmo que não soubesse como o pensamento se enraizou naquela hora.
Sim, eu sei que passei dos limites começando assim do absoluto nada. Mas vamos ser sinceros, vocês precisam entender como vai ser a história daqui em diante. Isso pode ser até um diário de uma alienígena em um mundo fantástico, contudo, não significa que vai ser tudo flores ou coisinhas bonitinhas, não!
Aqui a barra é pesada! E tive uma ideia enquanto escrevia essa parte — bem horrível — do meu passado. Irei começar a contar sobre minha existência um ano depois deste acontecimento problemático. “Por que?”, vocês me perguntam. A resposta é simples e bem abstrata: Porque é onde começou a minha vida de verdade.
Se não gostou, vaza daqui do meu diário, porque as coisas vão piorar, bastante...
Até a próxima parte!