@MultiuniversoFK
Público
Postado na Liga dos Sete - Facebook
Lá fora
A chuva cai lá fora, mas não lava o que ficou
No espelho vejo alguém que nem sei quem se tornou
Mãos trêmulas procuram outro gole pra esconder
O vazio que insiste em nunca me esquecer
Bebo pra afogar os sentimentos dentro de mim
Bebo tentando aliviar o peso que não tem fim
Sobrevivo às madrugadas sem saber pra onde ir
Com os olhos marejados, só tentando resistir
Bebo pra sorrir, mesmo anestesiada
As palavras querem sair, mas morrem na garganta
Se quer parar tudo isso, me abrace como a última vez
Me faça sentir que ainda existe alguma lucidez
A fumaça sobe ao teto e leva o pouco de razão
Garrafas vazias fazem companhia ao meu chão
Cada gole me promete um instante de paz
Mas quando o efeito passa, a dor volta ainda mais
Caio num poço fundo sem enxergar a direção
Me perco entre o certo e o errado, sem solução
Não se pode confiar em sorrisos sem verdade
Às vezes eles escondem a pior tempestade
Bebo pra afogar os sentimentos dentro de mim
Bebo tentando aliviar o peso que não tem fim
Se quer parar tudo isso, me abrace outra vez
Antes que eu desapareça de uma vez
Cometo pecados que talvez me levem ao inferno
E ainda assim te quero, mesmo em pleno inverno
Você tenta me encontrar no escuro em que vivi
Enquanto eu me afogo em tudo aquilo que escondi
O espelho já não mostra quem eu costumava ser
Só o reflexo de alguém cansado de sofrer
As palavras não ditas afundam em outro gole
Enquanto a madrugada me engole
Brinde ao que ficou perdido no silêncio
Brinde ao amor vencido pelo tempo
Brinde às garrafas vazias espalhadas pelo chão
E a quem ainda acredita que existe salvação.