Quando comecei a escrever Luma Oliveira, eu sabia que estava entrando em terreno delicado. Protagonista autista, romcom brasileiro, São Paulo como cenário. Tinha tudo para dar errado, ou para ser revolucionário.
Escolhi o segundo.
Luma é pesquisadora de UX. Ela vê o mundo em dados, padrões, lógica. Ela é literal demais, intensa demais, honesta demais. E cansou de ser tratada como "erro de sistema" só porque funciona diferente. Ela quer um manual de instruções para navegar o caos social que todo mundo parece entender naturalmente, menos ela.
Rafa Mendonça é o oposto completo. Comediante de stand-up, ghostwriter de influencers, mestre em fingir. Ele transformou o carisma em armadura. No palco, ele brilha. Fora dele, ele foge de qualquer coisa real com piada pronta e sorriso ensaiado.
Quando os dois se encontram, a colisão é inevitável. Ele fica fascinado pela mulher que não ri das piadas dele por educação. Ela vê nele a habilidade que lhe falta: a arte de atuar. Eles fecham um acordo: ele ensina ela a flertar e navegar São Paulo. Em troca, ela audita a vida dele e o força a escrever algo verdadeiro.
Spoiler: sai do controle rapidinho.
Por que essa história importa:
Porque protagonista neurodivergente em romcom brasileiro ainda é raro. Porque eu quis mostrar que autismo não é tragédia, não é inspiração, não é personagem secundário fofo. É vida real, com desejo, sexualidade, humor, raiva, confusão e amor.
Luma não precisa ser "consertada". Ela precisa ser vista. E Rafa precisa parar de atuar para finalmente sentir algo de verdade.
Escrever esse livro foi desafiador. Pesquisei muito. Conversei com pessoas autistas. Li relatos, estudos, experiências. Porque representatividade mal feita machuca. E eu não queria ser mais uma autora usando neurodivergência como "diferencial fofo" sem responsabilidade.
Eu queria verdade. Queria química. Queria uma história que fizesse você rir, torcer e pensar "caralho, por que ninguém escreve protagonistas assim com mais frequência?"
O resultado: uma comédia romântica nacional, neurodivergente e deliciosamente honesta sobre encontrar alguém que ama sua versão rascunho.
Entre noites de pizza ruim na Augusta, crises de pânico no palco e beijos que não estavam no script, Luma e Rafa descobrem que a única coisa mais assustadora do que ser rejeitado é ser visto de verdade.
E eu descobri que escrever fora da caixinha vale cada palavra reescrita, cada dúvida, cada medo.
Porque histórias que importam não pedem licença. Elas precisam existir.