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ONDE ESTÃO OS CACHORRO? - parte 2

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ONDE ESTÃO OS CACHORRO? - parte 2

Estima-se que exista uma média de 700 milhões a 1 bilhão de cachorros no mundo. Na verdade, existia — já que todos haviam desaparecido misteriosamente.

Onde estão os cachorros? (Parte 1)

Já passava de 72 horas do desaparecimento e, até agora, nenhum sinal dos cachorros. Nenhuma explicação das autoridades, governo, nem nada.

Na internet, portais de notícias, TVs, jornais, etc., continuavam falando apenas disso.

“Para onde foram todos os cachorros?” — era a dúvida de todos.

Investigadores do mundo todo se debruçavam sobre essa questão. Não era possível que não houvesse nenhuma pista. Como, num mundo onde existem câmeras em todos os lugares, vigilância 24 horas, governos com acesso a tudo que querem, monitorando quem quiserem, não havia nada sequer, nenhum vídeo, nenhum áudio, que ajudasse. Mas realmente não tinha nada — ou, pelo menos, nada que as câmeras tivessem conseguido capturar.

Nas redes sociais começavam a viralizar vídeos de câmeras de segurança, dessas que usamos em casa para cuidar da vida do pet quando estamos fora.

Registros de imagens de cachorros saindo do plano onde a lente alcança e não voltando mais.

Vídeos de canis onde os cachorros estavam em gaiolas: dá um apagão rápido, e quando a câmera reinicia já não há mais nenhum cachorro — e as “gaiolas” fechadas, sem que ao menos pareçam ter sido forçadas.

Insetos entrando na frente da lente e, quando saem, o cachorro não está mais onde estava.

Donos de cachorros dando depoimento dizendo que não entendiam, pois os cachorros estavam ali num segundo e, no segundo seguinte, nada.

Além da explosão de vídeos, surgiam as teorias da conspiração:

“Os gatos estão por trás disso, não é possível que todos os cachorros sumiram e os gatos estão todos aí.”

“Cachorros nunca existiram, era delírio coletivo, um experimento do governo.”

“ETs abduziram nossos cachorros; sabem o quanto a gente gosta deles, têm noção do nosso apreço pelo nosso pet, então sequestraram para pedir resgate.”

“Foram os chineses, de alguma forma os chineses sumiram com os nossos cachorros.”

Mas nada respondia à pergunta: como alguém conseguiria esconder quase 1 bilhão de cachorros no mundo sem deixar rastros?

Na manhã do quinto dia do desaparecimento dos cachorros, Olívia estava dormindo quando ouviu um latido ao fundo. Nem abriu os olhos. O trauma era recente: durante esses dias de desaparecimento da sua cachorrinha Lila, ela sonhou uma vez com sua pet, além de ouvir o latido outras vezes — como uma síndrome do membro fantasma, gente que perdeu um membro mas sente como se ele ainda estivesse ali. Então ela nem deu bola. Virou para o outro lado sem abrir os olhos; ia tentar dormir mais um pouco, não dormia bem desde o sumiço da cadelinha.

Quando virou, escutou o latido de novo — dessa vez mais alto e mais real. Abriu os olhos, virou e viu sua Lila no chão, pedindo para subir na cama, como costumava fazer. Não acreditou no que estava vendo. Só saiu do torpor quando a cachorrinha latiu de novo, como se dissesse: “me pega aqui, pô”.

Pegou a cachorra no colo e chorou — as duas choraram.

Depois de matar a saudade, fazer carinho e apertar bastante a cachorrinha, resolveu ligar para a amiga. Alguns toques depois, ela atendeu.

— Pelo amor de Deus, olha a hora, morreu alguém?

— A Lila apareceu!

— O quê?

— A Lila, a Lila, minha cachorra.

— Eu sei que a Lila é sua cachorra.

— Pois então, ela tá aqui comigo.

A cachorrinha late duas vezes, como se fosse para confirmar a presença.

— Meu Deus do céu… deixa eu ver se minha Susu voltou.

A amiga larga o celular e corre pela casa para procurar. Mas não acha nada. Volta para a linha chorando.

— Nada.

— Sinto muito, amiga.

— Tudo bem, estou feliz por você.

— Vou ligar pra minha mãe.

— Tá.

Olívia desliga a chamada com a amiga e, sem soltar o celular nem a cachorrinha — não deixou ela sair do colo um segundo sequer desde que voltou, seja de onde estivesse — liga para a mãe. Depois de alguns toques, a mãe atende.

— Alô.

— Oi, mãe.

— Olívia.

— Eu. Desculpa o horário, mãe.

— O que aconteceu, minha filha? Tá tudo bem? Teu irmão está bem?

— Tá, tá todo mundo bem. Só estou ligando para avisar que a Lila voltou.

— A Lila?

— Sim, a Lila.

— Meu Deus, que notícia boa! Então meus bebês devem ter voltado também.

A mãe larga o telefone sem avisar e corre pela casa gritando o nome dos cachorros. Nem sinal deles. Volta para o telefone. Olívia não desliga, está ansiosa por notícia.

— Nada.

— Nenhum?

— Não.

— Como ela voltou?

— Não tenho ideia. Eu estava dormindo, acordei com o latido, achei que fosse sonho. Mas não era.

— Por onde?

— A casa está toda trancada. Assim como no dia em que ela sumiu.

— Amanhã eu vou aí quando acordar.

— Tá bom, mãe, volta a dormir.

— Beijo, te amo.

Assim que desliga o telefone, Olívia entra no Google para ver se alguém falou sobre a volta dos cachorros. Nada. Nenhuma notícia. Ainda só se fala dos desaparecimentos. Liga para o irmão, mas ele não atende. Deve estar dormindo. Se os cachorros dele tivessem voltado, ele teria ligado para avisar.

Ela pesquisa mais uma vez — e nada. Realmente ninguém deu notícia de nenhum aparecimento. Pelas pesquisas, só a Lila estava de volta.

De quase 1 bilhão de cachorros no mundo, apenas a sua tinha voltado.

Por quê?

E onde estavam os outros cachorros de todo mundo?

CONTINUA

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