LITERÚNICO
Avatar

Visitante

@ guest

Nível
1
Essência
🔥 Fogo
Ritual
0 Dias

Patrimônio

0 LC

ESTRADA

LITERÁRIA

ÚLTIMAS PALAVRAS

Compartilhar
ÚLTIMAS PALAVRAS

Esses dias, rolando o feed do Instagram, apareceu uma postagem que era “Últimas frases de famosos ditas antes de morrer”. A primeira coisa que eu pensei foi: esse post engajaria muito mais se fosse frases que eles disseram depois de morrer. A segunda foi: se eu estivesse para morrer — tecnicamente, todos nós estamos para morrer. Se eu estivesse às portas mesmo, acamado, sempre que achasse que era minha hora, ia falar umas frases de efeito:

— morrer não é o fim, o fim é não ter vivido enquanto vivo.

Aí, se eu não morresse e alguém perguntasse o que eu quis dizer naquela hora, eu ia desconversar. Porém, eu ia continuar fazendo isso até uma hora acertar.

Eu parei na postagem para ler as frases. Dentre elas tinha a do Getúlio Vargas: “saio da vida para entrar para a história”, Bob Marley: “dinheiro não pode comprar a vida”, também a famosa do imperador Júlio César: “até tu, Brutus?”, que não foi bem uma frase, foi uma interrogação, um questionamento, quase como se você estivesse morrendo e perguntasse em voz alta: “será que eu tranquei o carro?”, e morresse.

Albert Einstein foi uma das pessoas mais inteligentes que já passou pela Terra, pelo menos das que conhecemos — “conhecemos” parece que eu tive contato com ele, não saberia nem o que conversar com ele.

— E esse tempo que não firma, hein.

— O tempo é relativo. Para você pode estar se movendo, mas para alguns pode estar firme.

Silêncio constrangedor.

Continuando: ele foi um gênio, isso todo mundo sabe. Apesar de que ele só foi virar gênio depois de mais velho. Até antes dos 20 não era considerado gênio. Ou seja, se você que está lendo isso tem menos de 20, ainda dá tempo de te chamarem de gênio. Se bem que a internet banalizou o termo gênio: as pessoas comentam “gênio” em vídeos em que uma pessoa consegue fazer uma garrafa com pouca água girar e cair em pé doze vezes seguidas.

Reunião dos gênios. Por ora, só estão um senhor de cabelos brancos bagunçados e um jovem inquieto.

— Oi, ainda não chegou ninguém, né?

— Pois é, chegamos cedo.

— Prazer, Einstein.

— Prazer, Marcelo.

Silêncio.

— E aí, desculpa a minha ignorância, mas o que o senhor fez para as pessoas te chamarem de gênio?

— Eu descobri a teoria da relatividade. Tempo e espaço não são absolutos. Eles mudam conforme a velocidade e a gravidade. E você?

— Me empresta sua garrafa d’água.

Então, a partir do momento que ele foi considerado gênio, tudo que ele fazia ou dizia recebia uma atenção ainda maior, já que era um gênio em ação. Tanto que existem citações dele que circulam até hoje, mais de 70 anos depois que faleceu.

“A imaginação é mais importante que o conhecimento, porque o conhecimento é limitado, ao passo que a imaginação abrange o mundo inteiro.”

“O primeiro dever da inteligência é duvidar dela mesma.”

“O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, e sim por aquelas que permitem a maldade.”

Fora as que não são dele e que são atribuídas para dar credibilidade e que, se ele está vendo isso, deve estar gritando:

— Pera aí, mas eu não disse isso! — cuida do seu sem se preocupar, pois se você não cuidar, ninguém vai cuidar. Eu não disse isso. Em qual contexto eu diria? Não acredito nisso.

Fui pesquisar mais algumas frases de famosos e cheguei na ultima frase do Albert. Em 18 de abril de 1955. Einstein, com então 76 anos, estava internado em um hospital em Nova Jersey, Estados Unidos, por conta de um aneurisma na aorta abdominal, do qual ele preferiu não tratar por não concordar em prolongar a vida artificialmente - até os gênios tem lapsos de estupidez. Então, quando chegou a hora, ele deve ter percebido que ia morrer, antes de acontecer, de alguma maneira, conseguiu apertar o botão de alerta, chamando assim a enfermeira. Ela entrou no quarto. Ele sussurrou algo para ela, só que ela não conseguiu ouvir. Ele então, sem força, sussurrou de novo. Ela então, percebendo que ele queria dizer algo, chegou mais perto. E o maior gênio que já passou pelo mundo disse suas últimas palavras e então apagou. As máquinas apitaram. Fazendo assim mais enfermeiros entrar no quarto. Tentaram reanimá-lo, mas sem sucesso. Albert Einstein estava morto e o mundo naquele momento ficava um pouco menos inteligente naquele dia 18.

Depois de tudo, perguntaram para a enfermeira a que tinha atendido ele antes dele apagar se ele tinha dito algo antes de morrer. Ela disse que sim. Todo mundo perguntou o quê. Quais foram as últimas palavras do gênio. E ela respondeu: não tenho ideia. E realmente não tinha, as últimas palavras dele foram em alemão, sua língua materna, e a enfermeira só falava inglês.

— O que ele disse antes de morrer?

— Disse alguma coisa em alemão.

— Consegue lembrar?

— Era alemão, não falo alemão.

— Eu sei, mas ele era o Einstein. Devia falar várias línguas.

— Eu sei quem ele era.

— Mas você não lembra como soou?

— Como soou?

— É. Tipo o som.

— Soou em alemão.

— Sim. Mas tenta reproduzir o som.

— Foi alguma coisa como: dsstsieballshmirrr.

— O quê?

— Não sei, eu não falo alemão.

— Esse foi o som que ele fez?

— Foi tipo isso.

— Tem certeza que ele estava dizendo alguma coisa?

— Foi tipo isso o barulho que ele fez.

— Às vezes ele só estava tendo uma convulsão.

— Pode ser.

Profissional Serviços Tags Contato
Comentários ver
Ainda não tem comentários.
Entre para comentar.