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@MarU há 5 dias
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#desafio 284 —Arcana— Autoras eternas morrem cedo demais, são infinitas em suas letras. Nisso, no ofício da escrita, sei que sou pequena, e isso talvez me ajude a ir mais longe... na idade. Ninguém se busca nas minhas letras, ninguém cita minhas palavras nem em minha presença. Ninguém leu o que escrevi, nem você, que me inspira todos os dias. Ninguém sabe da minha tristeza. Ninguém pensa: quem terá sido seu amor? Como ela era quando menina? Ninguém sequer imagina quem realmente eu seja. Sou uma ilustre desconhecida. Viverei por muito tempo ainda, não tenho mesmo um público leitor, para ao menos ser esquecida. Escrevo e leio eu mesma o que escrevo, com medo que eu me esqueça. Principalmente quando o coração aperta, na esperança de sentir menos dor. Quem sabe encontrar em meus escritos uma resposta que esclareça, ou reviver na lembrança o ardor que me aqueça. Sem aceitar, enfim, a irrelevância do que sei ser pra você ou pra quem não me lê. E assim, quem sabe, serei longínqua em anos, passarei dos 100 escrevendo poemas arcanos. MarU Marjane Satrapi e Clarice Lispector, mesma idade, na morte 56, em comum a tristeza de ambas. Clarice teve câncer. Marjane, ainda não é clara a causa, só o motivo, que podemos linkar comum. Fiquei pensando, sobre outras mulheres revolucionárias na escrita, que partiram cedo demais, N motivos, mas a melancolia fazia parte do que as identifica. Escrevi um texto, reflexo. Não exatamente sobre elas, mas sobre o ofício de escrever. As ilustres, serão eternas, ainda que venham a morrer cedo demais RIP🥀

Comentários (1)

@literunico · há 5 dias
Que texto!
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