Quisera eu, ter asas, Nos pés, na alma, Quisera, voar, Por entre flores, De pensamentos. Nuvens, De encontro ao vento. Quisera, Que o meu coração medroso, Guardasse seu medo, um pouco, E que eu pudesse, Me libertar, Flutuando, Por sobre as águas, Desse mar imenso, Que é a vida. Transmuto, Meus pensamentos, Em quereres intensos, Da saudade, Que eu tinha, Da coragem, Que eu nunca tive, De quebrar, Dentro de mim, Minhas próprias correntes. E no final, eu sei, Que sou apenas a casca, De alguém que grita alto, Sobre todos os horrores Que passei, Sem mudar nada, Porque o medo, Ainda me consome, E o meu grito, só ecoa em mim.
Sempre existem coisas boas, Para temperar nossos rostos sofridos, Com alegria. Uma delas, É a arte, que nos move, Com muito mais força, No mundo. Mantenha-se atento, Criativo, rápido ou lento, Não importa. Que seja à contento, Com nossa alma, Que sente tudo, Muito mais forte, Que o resto da humanidade. Somos, a força, Que levanta a chama, E carrega ela, pela vida, Acendendo, ascendendo, E fazendo multiplicar, Nos corações alheios, Pinceladas de multicores Aos olhos de quem nos vê!
No caleidoscópio Das sensações Travo tua boca Murmura Sinto sua pele Deleite Que começa No calor de um abraço E eu traço A cor da sua tez No olhar faminto No toque sedento No arrepio ardente. Me faz prisioneira Da tua vontade Que condiz com a minha Se transforma em nossa Transmuta O suor em fogo Despe Os pudores E completa meu gozo Com o seu.
A brevidade do sopro Que quebra na pele Que deita os pêlos E que aquece. O fôlego, de vida Que sopra ao falar Que tem cheiro, Paladar, num beijo. E que marca A existência Que ao findar Por um instante Apaga a luz daquele olhar. E que não percamos O amar Antes de tudo acabar.
Depressa Encosta teus lábios nos meus Arrepia minha pele Ao som do meu prazer Que traz o teu Que sente sua alma Desde o instante Que teu coração Cantou, a minha falta O desejo do meu cheiro Da minha voz em seus ouvidos Nessa linda sinfonia imagética Que nos fez ser tão perfeitos Um para o outro. Sua boca, sempre será, Meu melhor início de caminhada À felicidade.
Num lapso de memória Eu te perdi outra vez Ao esquecer como você dançava, quando bebia Ao lembrar de como você cuidava de nós, quando éramos crianças Seus desejos de felicidade A primeira e tão sonhada boneca que me deu. O seu esforço para que todos os filhos ficassem bem Os lugares que frequentavamos A chácara que você comprou, fruto de muito trabalho. O cheiro do teu cabelo lavado Na escova que a mamãe guarda até hoje. E que se perdeu com o tempo. Tanta saudade. O tempo dissolve tudo. Leva com ele, como partículas de areia, tudo que pensamos ter, como certo e imutável. Nada é imutável. Nem mesmo amor profundo e a saudade, que com apenas algumas gerações, vão se esquecer que existiu, em mim, Que guardava todo esse sentimento, do que era você, nas memórias. Hoje, eu tive saudade do meu pai, Noutro dia, terão de mim. E tudo que eu sabia de você, que te fazia ser vivo, dentro do meu peito, Também morrerá, no fim.
Quer me amar? O grito incessante De quem morreu. Morreu entre não quereres. Morreu no abandono. Na sede de carinho. Esquecida, Morreu à míngua Na oração de todo dia, Ela gritava por dentro Pedia a um Deus, inexistente, indiferente. Que queria ser amada. Mas a mágoa a esmagava por dentro A calava, anulava Como pessoa, como mulher, como ser existente, Implodiu seu sentir Tirou dela o sentido. O mundo, a deixou doente. Criou muros, se escondeu. Virou noites, adoeceu. Quisera ser alguém. Aquela que magoaria? Que desprezaria? Não, isso ela nunca conseguiu. E por mais que quisesse. Atrás de muros se guardaria. Um certo olá, Um certo amar, Um certo poeta, A veio despertar. Para um amor que pra ela não existia. Mas ele a apresentaria, a ensinaria. Um amor tão grande, Que de supetão e bolas de demolição Rompeu todas as barreiras de medo. E a transformou na mulher mais feliz e amada. Então, ela percebeu, Que entrelaçadas aos seus desejos, Outra linha estava, a dele. Mesmo antes de o conhecer. E estaria até o fim do mundo, acontecer.
Como o sol que aquece a planície, Como a água que mata a sede, Como o ar que sopra e refresca, Como o fogo que queima em brasas, Você me aquece a alma, Molha minha boca e vulva, Me prende ao desejo de sentir o sopro da tua respiração, E me incendeia com o seu tesão. Como vulcão, explodo, transbordo, Me torno, líquida, por você, Transformando, tudo que era morno em mim. Meu núcleo, te deseja. Seja, pra mim, o deus, que ama sua deusa, enfim. Como Urano e Gaia, assim.
Quanto olhar existe no amor. Quanto respeito Quanto entender Quão profundo é o cristalino de alguém, que nos desvenda devagar. Em pequenas minúcias Saboreando lentamente A cada piscar de olhos. Quanto tudo há no amor Que faz você parar de olhar a si mesmo, pra apenas sentir aquele outro. Quanta alma você vê, quando sente? É mais que toque É muito mais forte que o cheiro Sabor ou sensação. É o que faz retumbante o coração. Que faz suar a mão, pelo simples roçar, ou pelo medo do não. Quanto tempo tem o amor? Tempo suficiente para olhar, para dentro de si mesmo? Quanto cuidar, tem ali, no teu amor, que te faz acolher e ao mesmo tempo saber dar os espaços necessários, para que esse amor, seja sentido, visto, cuidado e amado pelo seu amor. O tremor sôfrego, de uma voz embargada, ao reconhecer no outro, a alma amada. O trêmular de uma carne, desejosa pela mulher amada. O aconchego intenso, do arfar, andando na mesma, linda e longa estrada.
Tinta dourada, banha a pele, do sol pleno, faz corpo moreno. Tem suor, sal areia e por do sol. Tem riso, gargalhada, sorriso aberto e mão dada. Tem natureza, suas belezas, que brindam os olhos, nas asas de uma borboleta. Tem gostinho de férias perdidas, há muito tempo, nunca mais tida. Tem tanto amor, entre família, brincadeiras e descanso, risos e comida.