Desnude a alma. Ninguém te escuta, Quando as portas e janelas Fechadas, escondem você. Ninguém te vê. Seja. Intempérie ou calmaria. Somos feitos de tristezas e alegrias. Por isso, desnude. Reconheça seu verdadeiro eu. Pois às vezes, você se esconde tanto dos outros, que se perdeu. Tua alma, não floresceu? Floresça e deixe outras flores, Se enxergarem, no perfume que é só teu.
O cego, vive de ilusões Num castelo cheio de nada, Onde as paredes flutuam, Presas ao chão da imaginação.
Imaginação, que idealiza, Engana e faz doer, Quando a alma sente, Que não há nada ali, para ver.
E quando o sol se põe, Das colinas e montanhas, Se vê, as consequências Do baixar a guarda.
Desolado, o visionário, tenso Caminha por escombros, Daquilo que ele mesmo construiu, No vórtice sem sentido da esperança.
Morreu ali, todas as suas ilusões. A docilidade se findou, À exaustão, se entrega, Inapto.
E só espera que a paralisia, O deixe, para que possa voar, Por entre as nuvens, de vento, Que o leve a recomeçar, desta vez, Em suas próprias bases, Pois só nessas, ele pode confiar.
Eu te amo, até que tudo que conhecemos nesta vida, como certo, imutável, vire pó. Eu te amo, até que minhas memórias, de quem você é, deixem de existir. Eu te amo, até que todas as palavras que você me dedicou, se percam, nas dobras incontestáveis do tempo. Eu te amo, até que, quem sabe um dia, nossa existência, seja medida apenas pelo tanto de amor, que podemos dar. Eu te amo, mesmo, que apesar de tudo, seu amor, deixe de ser eu.
Vejo a vida em cores, Mesmo e apesar das dores, Somos seres não lineares. Não temos constância. Mas vejo você em cores. Vejo a luz do teu olhar, Ao encontrar soluções. O sorriso dos teus lábios, Ao contentar-se. Vejo, o toque das suas mãos, No dia a dia, ao me agradar. Vejo. Te sinto. Inteiro . A luz e a cor dos meus dias. Por sua culpa, te vejo intenso, Propenso, Baseado em bom senso. Colore mesmo sem querer, Mesmo por querer. Tudo que faz, Tudo que quer, Tudo que vive, você é... Vida! Minha vida!
Nós, mulheres que saíram da maldita caverna, Vimos o mundo, galgamos a montanha, Nosso olhar vai longe, as vendas caíram, Nossos pés e braços estão livres, as algemas quebraram, Abriremos os olhos daquelas que ainda se submetem, e das que virão. Nunca mais, nos queimarão! Somos mais da metade do mundo, nós somos o mundo, Somos a força na multidão !
Feito de sal, Amargo, fel E céu azul. Feitos de mel Manjar de deuses Na noite enluarada. Caminhantes do planeta azul. Galgam muros, Plantam flores, Deixam viver. Destróem tudo Pincelam horror, E enchem de dor, O outro ser. Onde pisam, Levam sorrisos Onde tocam, A cura dão. Tantos destinos tocados Tantos destinos alados Tantos destinos Destinados a padecer. Preferimos viver. Onde a ponte seja, A troca esteja, E onde o abraço cura. Seja intempéries Mas de amor! Nunca de dor.