Cansada da minh'alma quebrada Arquejante, sussurrante, Que me acorda às três da madrugada. Que grita e vocifera, Todas as dores que passeiam por mim. Cansada, da culpa, da raiva De tudo que impõe à minha vida, Feminina? Como devo vestir, Quando chorar, Como me portar. Cansada do tudo que enfiaram comigo, dentro de uma caixa, fechada, quadrada, apertada,me impedindo o crescimento, Que me imputaram, como sendo meu, sendo eu... Cansada do rosa, do azul, do pseudo conhecimento, que de conhecimento não tem nada, além de achismos. Cansada dos julgamentos, Os quais ignoro, pois eles não pagam minha janta. Cansada dos olhares, que me transformaram em apenas carne, pra ser vista e consumida. Apenas um produto, para dar prazer, nunca receber, e se eu não tiver, ou não der, a culpa ainda é minha. E seguem incólumes, todos eles, cometendo seus crimes nas nossas carnes, nas nossas custas, até nossa morte. Eu morri a primeira vez, aos seis anos. A quem eu quis seduzir...?! O ódio consome, a única saída é a revanche?
Um beijo, na base do pescoço, De leve como um sopro. Desliza arteiro, Brincando de ser fogo. Um resvalar de derme Despertando um mundo inteiro. Salpicando de luzes o córtex frontal, Liga, explode e arrepia Imensos sistemas, Imersos de sinapses Transforma o relaxar, No retesar. Os músculos tremem, Comprimem, te prendem. Causando rupturas, Colidindo, Implodindo, E existindo, no outro, O desejo que nasceu em mim, mas que nunca extinguirá, em ti.
Da delicadeza, Nasce um furacão, Daquilo, que antes, Não se previu. A força etérea, Se torna, Força motriz, Da vida. Ciclo regenerador, Cuidador, Mas ao mesmo tempo, Terremoto, Movendo montanhas. Necessidade as move, E às vezes, Nessa existência tão vil, É preciso, Lutar com fervor, Antes de perder a vida.
Para não falar de amor, Eu falo dos olhos teus, De como são pequenos, Castanhos e apertados, E de como os cantos se enrugam, Ao abrir do sorriso, Mas lindo e encantador. E de como seu rosto se Ilumina Ao olhar-me, com admiração e amor. Mas eu não iria falar do amor. Então, falarei das atitudes. Que ao iniciar do dia, O bom dia é coisa certa, Acompanhado do "te amo" De uma foto, que abraça e aperta. Aconchegando o coração, Que logo cedo, já acelera. Mas pra não falar de amor, Eu menciono as pequenas coisas, Que fazem do meu dia a dia, Muito mais leve e facilitado. Do café na caneca, Da louça lavada, Da roupa limpa e estendida no varal, Das várias mensagens, De carinho e cuidado, Durante o dia. Da necessidade de almoçar juntos, De levar nossa menina pra escola. Das mãos dadas e pés encostados, Ao assistir um seriado. Da dedicação diária, Minuto a minuto... Tudo pra não falar de amor.
Voe como os ventos, que cortam os mares, Singrando as marés, soprando velas. Voe nas asas do beija-flor, tão rápido quanto, Enquanto brinca de ser delicadeza. Voe, nos lábios de um marinheiro que assovia, cantando sua música favorita, no balanço do mar. Voe, como as nuvens no céu cinzento, procurando um vislumbre de sol. Voe como um filhote de águia, que salta do pico nevado mais alto, em busca da alegria e da imensidão, que lhe representa a liberdade.
Eliz Leão
Fly like the winds that cut through the seas, Sailing the tides, blowing out the sails. Fly on the wings of the hummingbird, as fast as, While playing at being delicate. Fly on the lips of a sailor who whistles, singing his favorite song, in the swaying of the sea. Fly like the clouds in the gray sky, looking for a glimpse of sun. Fly like a baby eagle, that jumps from the highest snowy peak, in search of joy and immensity, that represents freedom.