Um dia, Cansada de tentar cobrir as imperfeições Que pelos olhos dos outros Eu carregava, Decidi ser eu! Eu, pura, impura Santa ou não Tornei-me A pessoa que eu almejava Sem medos, sem neuras Sem ser condicionada. Lindamente despenteada, Loucamente amada! Se não pelo outro, Por mim mesma. E para minha surpresa, É dessa mulher, enlouquecida e autêntica, Que eu precisei A vida inteira !
Um dia, eu li que o amor é passarinho. E ai do seu coração, se ele não for ninho! Um dia, eu sonhei o amor, fiz dele meu caminho, pra que nunca houvessem chuvas, que o tornassem tão difícil. Mas descobri com a chuva que ela molha o mundo, lava as lágrimas e faz uma coisa linda no chão. Ela brota e dá vida e floresce a margarida ! E desejei que as chuvas viessem amenas então, que molhasse todas as flores, de cores que não cultivei, mas que brotaram no ninho que fiz em meu coração.
É salgada A água Que vem do olhar Pois assim Como o mar É no olhar Que desaba Nossas emoções Em turbulências Salgando nossas faces Ou temperando nossos dias . É no olhar, Que carregamos As vivências É nesta onda, Que navegam nossas almas.
Não há tempo Para ver o caminho Das lágrimas Que descem Pelo seu rosto, secar. Não há tempo Há temporal No meio do caminho Riscando aquela tua Linha funda Do seu riso Não há tempo Para ver a criança Crescer Não há tempo Para ver Aquela planta florescer Não há tempo Infelizmente O tempo tem preço E o preço, não podemos pagar!
Ele está ali. Silente, reprime seu arfar. Comprime e esmaga suas aspirações. Sem que você perceba, Ele se imiscui. Aos poucos, você não vive mais sem. Te faz sofrer, chorar. Seu corpo se ressente quando ele não está. Teu cérebro, luta o tempo todo, Contra você, contra o mundo. Te deixa mudo. Absurdo! Você, releva, aceita, precisa dele. Mesmo que ele te machuque. Normaliza, mesmo que ele te odeie. E não se engane, Ele te odeia. Você é somente lenha para a fogueira que ele quer manter acesa. E ela queima o mundo! E o mundo já está a queimar. Se você não viu, é porque o fogo, ainda não chegou até você. As vendas que lhe puseram, ainda não caíram. Quem sai da caverna, nunca mais retorna à ela. Você já viu a luz , a luz real? Ela não é daquelas que botam medo, daquelas de quando preso em seu eterno buraco, você observa sua própria sombra. E ela se torna o teu próprio algoz. Te mantendo refém. As sombras, o medo delas e o seu fiel capitalismo.
Em português se diz : Você me faz falta. Em poesia dizemos: Meu abrir de olhos, Ao amanhecer, Se tornou um hábito, Já que não me vejo inteira. E sigo Pela existência, De outras pessoas, Que também amo. Mas minha alma Insiste em não despertar, Naquela parte, Que somente a ti pertenceu. Eu sinto seus braços ainda Quando outrora, Me rodeavam. O seu perfume, Está apenas Na minha memória A maciez dos seus cabelos, Que já roçaram O canto do meu riso de menina... O olhar que me encarava À mesa do café da manhã, Do almoço E dos jantares intermináveis Em frente à tv. E as manhãs de domingo? Agora, são somente manhãs. Assim comos todos os nossos dias, Se tornaram apenas uma página, Que o tempo desbota, Que envelhece, tal e qual A pele do meu rosto, Por onde escorrem as lágrimas, Pelo tempo que não pudemos ter. Essas rugas, Que você nunca verá .
Imersa No silencioso Leito da noite Ela, a dama De capa escura Que leva consigo De brinde A lua Me ganha Me banha Me nutre Do mais puro Torpor E do peso Ascendente Que paralisa Meu corpo E fecha Meus olhos Para o mundo Exterior.
Em português dizemos: Siga em frente, a vida continua. Em poesia dizemos: Mesmo que sua alma carregue o peso de mil lutos, Mesmo que o peso disso o leve junto Mesmo que o sorriso deixe sua face Como o ar dos seus pulmões, No momento da dor, Mesmo assim, você sobreviverá. Assim como o tempo transpõe a qualquer um de nós Sua hora também virá E aí, então, a última lágrima Descerá por sua pele serena Ao encarar de frente A derradeira imagem Que estamparia o fim, Dentro da tua retina.
Ressona em meu ouvido Sinto a dureza em minhas nádegas Suas mãos Transitam no sono . Semi despertos Corpos quentes Entrelaçados . Me inclino em teu corpo Beijos que deslizam No cheiro da pele. Devagar Quase tortura. Hálito quente Vulva sedenta Deslizo em teu falo Gemo . Meu som acompanha o seu Minha pele arrepia a tua. A nossa cama ondula E toma pra ela Nossos gritos de amor e gozo. Meu cheiro misturado ao teu Corpos e almas nuas .