Tange Com maestria A alma Que o guia Abre a fissura Descobre Ensimesmado Eu diria Cava fundo Até o brilho Que surge de dentro Arrepia A pele E toca Dilatando a pupila Tesouro, que irradia O despertar Do que morria.
Que ninguém leia Todos os meus anseios As páginas proferidas em alto e bom som Os berros trementes que saíram das letras O choro sentido, que às linhas sangrou. Que ninguém veja o meu descontrole, O sentimento tosco que me perspassou. Que ninguém saiba, da boba centelha Que me tornou, justo o que sou. Que a sorte me afague, que ninguém releria Todos os poemas que das letras jorrou Enquanto eu sofria, sorria ou gemia Num canto, ao relento do meu eu, que sobrou. Quisera um dia, queimar essas estrofes, mal lidas E malditos pedaços da minha alma proscrita. Que se queime tudo, ardendo em chumaços As palavras que o tempo, tão duro ensinou.
Ele sabe. Sabe o dia que ela nasceu Sabe as coisas que ela ama. Sabe tudo que ela odeia. Tudo que a faz chorar e sorrir. Ele sabe os horários dos médicos, o tamanho das roupas e sapatos. Ele sabe as vacinas que ela precisa tomar. Sabe as dores e sabe sanar. Ele sabe quem são os melhores amigos, o nome da professora, pois participa de cada etapa da vida dela. Ele a segurou no choro ao tomar vacinas, trocou, deu banho. Cantou pra ela dormir. Leu pra ela desde a barriga. Ele sabe seus sonhos e os apoia e incentiva. Ele já inventou mundos com ela. Ele deseja um mundo muito melhor, pra ela. Ele sabe ser pai. Ele ama ser o pai da nossa menina. Ele é pai dos enteados, até. Ele sabe o que significa ser. Amamos você, vida. Feliz dia. Você é a pessoa mais importante da nossa vida e conquista esse lugar todos os dias.
Há dias em que penso em você, Lembro da risada, Do abraço Do seu cheiro de banho tomado E do cheiro dos seus cabelos, cheirosos, tão macios e branquinhos. Lembro das manhãs de sábado, quando íamos à feira, E dos domingo assistindo os programas da manhã. Eu acordava às seis apenas pra estar contigo. Os nossos programas da National Geografic, onde assistíamos os animais, que tanto amávamos... Eu ainda amo pai. Por sua causa, eu respeito o nosso planeta. Por sua causa, eu ensinei seus netos, meus filhos,( dois deles, os quais você nem ao menos teve a chance de conhecer), a amar tanto quanto você, os animais. Sou grata por ser sua filha. Você foi uma pessoa incrível. Te amo, pra sempre. Seu nome, e mais do que isso, seu amor por nós, sempre será presente em mim. Sentimos muito sua falta, todos os dias.
Seu olhar estelar Como se mil constelações Dançassem pra mim, É o que vejo, quando me vê. Queria eu, e hoje sou, A dona do universo em ti, Como é do meu. E compartilhamos assim, Uma explosão, No canto do seu sorriso. E carrego teus sabores Como se habitasse, O melhor lugar do mundo, No teu beijo. Faz morada no meu cheiro, No timbre tua voz, rouca às vezes, Cantando a nossa canção, É que meu pensamento voa, Na letra do refrão. E é vivendo dentro do teu abraço, Que encontro, tudo que sou.
Interage Com minhas sanhas Reflete as minhas chamas Onde teu prazer começa, O meu inflama. Sou o ápice do teu gozo. O arrepio que tua pele ama, Ao tocar o teu pescoço, Tua boca me clama. Penetra meu corpo, Minha alma e reclama, Com tuas mãos E boca sedenta, Faz coro com minha voz E movimenta Até derreter Meus pensamentos, Ter o meu e o seu suor, Escorrendo. Eliz Leão
A solidão Que é sentir-se Em pedaços. Sem mãos Para juntar, Seus caminhos. E carregá-los, Em seus braços, É pesado... E não aguento mais. Longa vida, A quem? Não enxergo mais... Em quem ecôo? Vozes mudas, Alma desnuda, No inverno, Que nunca acaba. Cansei de segurar, Meu mundo em mim. Cansei de dar passos, Em vidros quebrados, Pelo chão. Não quero mais, Ter que me espelhar, Para ser amada. Ter que me calar, Para ser desejada. Ter que me adequar, Ser cordata. Só quero desistir, Mas nem para desistir, Tenho voz.
Vê, a alma que cresce e habita o outro. É igual a tua, em papéis marcados, Engavetados, milimétricamente moldados. Que quando se implodem, Procuram logo, os culpados. Por não seguirem esses papéis marcados, surrados, Com lágrimas e sangue jorrado, Em benefício do mercado. Fábricas de filhos, vivos ou alados. Até quando serás taxado? Até quando seus olhos, Permanecerão vendados? Límpidos olhos de criança, Sujos com lágrimas das matança, De velhos poderosos, Que com uma bomba, Roubam-lhes a vida, os sonhos e seu breve existir. Que destroem, e riem, plantando a pobreza no mundo, Para apenas poucos(eles) usufruir. E aqueles, de grilhões nas mãos, Que defendem esses poucos, Também carregam o mar de sangue, Dispostos a morrer, fãs De quem quer mesmo lhes tirar a vida, Em troca de tudo e de todo poder.