E mais uma vez o sol se pôs, e eu sigo aqui, pensando: será? Será que pensas em mim quando vês a nossa foto? Aquela que está estampada como papel de parede no teu celular. Eu sei: tu não a trocarias. Como se, no fundo daquela tela, morasse ainda um restinho de esperança.
Será que ainda te lembras dos nossos momentos? Porque eu me recordo de cada um: com amor, com tristeza e até com raiva. Só que não é raiva de ti, amor... Perdão... força do hábito. Às vezes, ainda me escapa o "amor", mesmo quando sei que agora é só Mateus.
Cada escolha que fizemos nos trouxe até aqui. Mas eu nunca pediria que abrisses mão dos teus sonhos por mim, assim como também não abriria dos meus...
Não é egoísmo, é só a vida.
Prometi que não choraria, e não vou chorar! Mesmo assim, sigo pensando em ti. Em tudo que fomos.
Será? Amor... Será que, um dia, esse amor deixará de ser real?
Escolher entre a estrada predregosa, repleta de cacos de vidros, ou cortar caminho pelo pântano tenebroso? Seguir pela rua ladrilhada com pedrinhas de brilhantes ou forrada com pétalas de flores das velhas cerejeiras?
Não há um caminho fácil ou seguro, difícil ou assustador por definição. Há, sim, escolhas que nos fazem refletir sobre trajeto percorrido.
Mesmo que fiques parado, apenas observando, algo ainda assim pode acontecer. Afinal, tua escolha foi tentar escolher... e isso te levou apenas a contemplar.
No fim, os caminhos são decisões que exigem atitude e sabedoria, para que a voracidade do tempo não te consuma, nem transforme tua vida em um calcário infinito.
Lembro de situações e momentos que vivi na infância, mas não me vêm à mente imagens, apenas sensações de tê-los vivenciado.
Para os outros, essas lembranças são meras fabricações da minha mente... Mas eu sei que são reais, porque as vivi e ainda as sinto, mesmo que dispersas entre os vários fragmentos de mim.
De algo posso afirmar: são lembranças que carregam um misto de sensações, todas resumidas na felicidade de tê-las vivido ao lado da minha mamãe.
Das entranhas do poeta, ou talvez da criatividade volátil do poeta.
Mas, no fundo, o poeta é sem rosto, sem olhos, e até sem boca. O poeta bate contra a parede, invisível. Carrega a maca com seu próprio corpo machucado, mas não chora, porque feridas se cicatrizam com sua poesia.
Talvez seja daí que a poesia nasce: do completo que é vazio, do vazio que enlouquece, da loucura... de não saber de onde nasce a poesia.
Guardei o silêncio e perdi o seu beijo. Tranquei seu amor no peito e, hoje, ganhei a solidão que me aprisiona. No fim, só existo em corpo, pois a alma... a minha, vagueia buscando se libertar de você.