O bambolê que girava na cintura da moça bonita conquistara o coração do bad boy, que a admirava enquanto fumava um cigarro, sentado no capô do conversível vermelho. Na estica, o bad boy a convidou para sair, e, desse encontro, surgiu um romance quase natural. A moça bonita, que adorava adornos e o vestido branco que marcava a cintura, aos poucos tornava-se a fraqueza do rapaz, que vivia apenas nas madrugadas. A moça bonita que um dia girava bambolê na praça já não se vestia como Marilyn Monroe, pois não conseguia maquiar, com pó de arroz, as marcas deixadas em seus lindos braços. Aquele sorriso que encantava a todos ficara congelado no passado, enquanto a tristeza se tornara seu sorriso de ponta cabeça. Houve um dia em que o bad boy não resistiu ao passo da moça que um dia fora feliz, e a trancou no quarto. Mas, no incêndio aceso por seu cigarro, a bailarina que girava o bambolê na cintura, radiante, deixou de ver o sol nascer. E o bad boy, que por muito pouco tempo enxergara o sol quadrado, reiniciava a fábula do príncipe que virara sapo.
A manhã já inicia com um CAFÉ Café — Coféééé... Do outro lado temos COFFEE Café — Coféééé — Coffee... Depois das grandes águas, a manhã já nasce pedindo um Coffè Café — Coféééé — Coffee — Coffè... Mas eu, daqui, prefiro chamá-lo de o único bendito capaz de exaurir por completo minhas enxaquecas.
Estive por aqui há milhares de anos... Lembro-me como se fosse o amanhã que existiu entre a penumbra, sem mesmo preceder o hoje. Naquela época, não existia nada: nem luz ou trevas. E tudo era... fácil de respirar. Até sombras andavam pelo infinito, quase vazio ou completo de nada. Sempre soube que a evolução era o pior de todos os erros, porém a mais necessária. Afinal, nada se cria, pois tudo se inverte. Desde o homem aos animais, como toda a vasta criação, são rastros de uma era. Rastros que, um após o outro, continuarão em constante evolução e extinção.Tudo nessa mesma ordem, para não desequilibrar a balança, ou melhor, o peso que uma pena tem em relação a uma bandeja com moedas de ouro. Bebi o vinho do primeiro cálice de barro e o repassei às eras seguintes, que o transformaram em taças de cristal e ouro de marfim. Como foi bom ter pisado o solo antes que o caos e a ordem dessem as mãos, e se ferissem pelas costas. De todas as evoluções que presenciei, talvez... apenas talvez, essa seja a evolução habitável mais vazia de todas. Seria necessário reconstruir novos muros ou uma nova evolução para iniciar tudo de novo.
Já não há mais ninguém por aqui. Como se fala de poesia com paredes gélidas?
O meu poema? É a minha poesia. O meu brado retumbante? Às vezes, é apenas o meu silêncio. A minha felicidade não é tão completa. Mas também não é tão superficial. Esconder-se no próprio vazio é como pular no abismo da alma.
Quando se deve pular nesse abismo superlotado de máquinas quase humanas? Aliás, o cair não é mais como cair de bicicleta.
E qual abismo é tão real quanto o purgatório? Não existe abismo sem luz, tampouco abismo cheio de trevas. Para a viver no mundo só precisamos ter em mente que existe uma única regra que é... viver.
O sexo também é poema. Porque temos dois corpos que se unem em um só, declamando o desejo. E os versos são sussurrados entre os beijos que aumentam o tesão. Em cada pausa, há carícias e malícias, mas também fragmentos de palavras escritas pelo fogo da paixão. O sexo é carnal... e é a arte sem pontuação exata. É como verbo no presente: sentir e escrever com suor e gemidos. Assim como o artista cria para outros sentirem... o sexo nem sempre é por amor. Mas quase sempre é por poesia. E você, já escreveu seu poema hoje?
O ABC O ABECÊ O ABECEDÁRIO O ABACAXI O A - BA - CA ... Xi? O meio caminho andado O pão O P e ÃO o pião O PEÃO O SÁBIO O VELHO O NOVO O AMIGO O que lê O que não lê O que simplesmente vê O cê? O vê? Por quê? Ocê
As palavras têm um poder tão avassalador que podem:
Te fazer sorrir como quem recebe aquele abraço e o colo quente da mãe; ou chorar como quem abraça a própria ausência. Te ferir como lâminas invisíveis que cortam até a mais fina camada da alma; ou te curar como o bálsamo que alivia toda dor que te aflige. Despertar o amor como quem se apaixona à primeira vista; ou o ódio, que suga até o cerne da tua existência. Trazer a guerra como quem profere discursos infames e tortuosos; ou a paz, num simples pedido de perdão. Salvar uma vida que está pendurada por um fio de seda; ou condená-la, como quem é empurrado para o abismo sem fim. Te aprisionar como quem não quer que você enxergue com lucidez; ou te libertar, como a luz do farol que guia os navios em meio à escuridão e à neblina densa que engole a visão.
Comete um crime, descaradamente, Atenta contra o Estado Democrático de Direito. Com uma câmera nas mãos, todos gravaram a depredação, como se fossem bestas selvagens que fugiram do circo tenebroso. Nenhum temeu a punição sobre seus atos; Preferiram vangloriar-se da aparente vitória. Depois de serem pegos, tentaram desconstruir as imagens que elas mesmas já haviam mostrado ao mundo. Não deveriam — nem de longe — pedir por anistia, Nem cantar em outro idioma para se "proteger" da própria língua, Mas enfrentar o próprio ego e pagar por seus erros. Quem pede "anistia já!" Já diz muito sobre seu caráter, ou melhor, sobre a falta dele.