270
No ducentésimo septuagésimo dia,
ele despertou.
O quarto era o mesmo.
Os lençóis, a bermuda,
a janela que iluminava tudo.
Percebendo a atividade daquele
despertar,
o gato animou-se e pulou à cama
para aproveitar o minuto de carinho
(tudo o que suportava por vez).
Ainda com sono, espreguiçou, pousando
sua mão direita no pelo macio que ronronava
deitado ao seu lado.
Aquela cauda o chicoteou como sempre.
Era sua rotina. Era como toda manhã começava.
Levantou-se.
Banheiro, comida do gato, remédios.
Tudo igual.
Tudo diferente.
Tudo novo, apesar da similaridade dos atos.
Ele estava contente!
Ele estava vivo!
Ele está amando
o mais sublime dos amores.
No ducentésimo septuagésimo dia,
ele teve a ducentésima septuagésima certeza:
Não importa o quanto escrevesse, era pouco.
O amor não tinha limites.
Nem o desejo.
Muito menos a saudade...
No ducentésimo septuagésimo dia,
ele finalmente aceitou
sua imensidão interna,
esperançando unir-se
(e fazer amor diário)
à Imensidão dela.
Alberto Busquets.
#Desafio 020
#desafio 365 dias
Dia 20 - Fale sobre um livro que aborda fortemente assuntos sociais e políticos.
O tema de hoje me fez lembrar logo de um livro super experimental da literatura brasileira (e, mais precisamente, pernambucana): Agá (1974), de Hermilo Borba Filho. Este livro foi o tema da minha monografia de final de curso (Bacharelado em Letras, UFPE) e eu corri para procurar se ainda eu tinha o arquivo salvo no computador e... descobri que não tenho mais! Então, o texto a seguir vai ficar com as lacunas criadas pelo meu esquecimento, visto que se trata de uma leitura feita em 2006.
Agá é um romance que levanta a bandeira antifascista, denunciando os governos ditatoriais da América Latina. Publicado pela primeira vez em 1974 com um capítulo autocensurado, o autor chama estou versão de “Versão Cor de Rosa”, como uma ironia, visto que seu teor é uma denúncia ao regime em questão. Só em 2019 foi lançada da “Versão Vermelha”.
O livro é constituído de contos, cada um com seu “eu narrador” diferente, mas que se cruzam na mesma realidade social; além disso, temos trechos ilustrados como uma história em quadrinhos e texto para peça de teatro.
É um romance maduro, visceral, cheio de ironia, e que colocou Hermilo como um dos melhores escritores brasileiros de sua época.
#desafio -17
O dia amanhece.
A minha alma tece
esperança em finos
raios de sol a entrar
pela minha janela.
Mas a luz que me aquece
é o seu sorriso ao me desejar
um bom dia.
O meu amor só cresce.
Jusley Naiane
Ainda bem que temos 72h pra pôr em dia nosso atraso no desafio. Esse é de ontem.
O tema do livro que apoia o #desafio de hoje é:
19 - Fale sobre um livro que narre fatos históricos.
Sou fã do Camões desde que li sua "Lírica", aos quatorze anos. Anos mais tarde, em função do vestibular, conheci "Os Lusíadas", seu épico escrito em decassílabos que narra a viagem de Vasco da Gama às Índias.
Impressionante como ele consegue contar de forma gloriosa fatos que sabemos não terem sido assim tão bonitos de perto. A linguagem era difícil para mim, mesmo muito leitora desde sempre. Às vezes, se não recorresse ao glossário ou ao dicionário, ficava sem entender bem algum trecho. Mesmo assim, curtia continuar lendo, porque o ritmo me lembrava um ir e vir de onda. Era gostoso.
Enfim, grande Camões.
Tem uma fofoca sobre ele que não sei se é verdade. Contam que numa viagem, ele levava com ele uma amante chinesa. Ele, para expressar sua paixão, escrevia redondilhas para ela, porém com o pseudônimo de Dinamene. Em determinado momento infeliz, um dos barcos teria sofrido um naufrágio e Camões se viu entre salvar o manuscrito de "Os Lusíadas" ou salvar a Dinamene. Temos o livro aí. E temos vários poemas como este em sua "Lírica":
"Alma minha gentil que te partiste
Tão cedo desta vida descontente
Repousa lá no céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste".
Pobre Dinamene. 🤷🏻♀️
#Link365TemasLivros
#Desafio 020
270 Dias
270, número inteiro,
narrador silencioso do beijo suspenso.
Em cada estrofe,
um suspiro de vontade.
O azimute, implacável,
aponta o oeste do peito,
onde o sol morre,
e meu sentimento renasce.
E, de tanto querer,
em círculos me perco:
completo três quartos de volta,
eternamente em torno de ti.
Divisível por quinze,
mas quem diz que o amor se reparte?
O teu ocupa-me inteira,
como as palavras que sobram
quando me faltas.
Cada um desses dias
conta o acaso do encontro.
E a saudade?
Ah, a saudade se mede em segundos,
pois o amor,
esse, não conta nada.
Ele se faz infinito
e apenas fica.
Cr💞s Ribeiro
No espaço vazio que penso que ocupo
há muito mais do que creio ou conheço
cego não enxergo nem me preocupo
não sei se existe um fim e ou um começo
deitado e calado aqui de olhos fechados
não sei se havia verdade ou pura ficção
enquanto a pé atravessava o cerrado
uma linda zebra era beijada por um leão
destemido me jogo sem saber o caminho
sigo sonhando a viagem mais colorida
ilusão da razão perdida num gesto de carinho
depois dela sou assim uma tela divertida
louco entorpecido perdido na geografia
surge o mar com ondas de espumas brancas
flutua Afrodite em sonora e elevada harmonia
danço sob o encanto de suas fartas ancas
agora sou deus sou Botticelli sou só um homem
então beijo a zebra o leão a letra e o chão
são as drogas ou os desejos que me consomem
no mar por fim me afogo entre a deusa e a paixão
Edu Liguori
#Bom dia!
Palavra do dia:
#𝕊𝔼ℝ𝕋Ã𝕆
Frase do dia:
"Não é o bárbaro que nos ameaça, é a civilização que nos apavora."
— Euclides da Cunha
Datas comemorativas de hoje, 20 de janeiro de 2025:
Dia Nacional do Fusca
Dia Nacional do Farmacêutico
Aniversariante:
Euclides da Cunha (1866) — Escritor, jornalista e engenheiro brasileiro, autor de "Os Sertões".
#Desafio dos 365 dias, dia 19:
A capa de Folhas é uma das minhas coisas favoritas no mundo.
Quando decidi que iria publicar essa história que escrevi, contatei um amigo ilustrador para fazer a capa. A primeira ideia era que fosse uma mesa de taverna, com um mapa, um cajado e alguns outros itens presentes na história. A segunda ideia era uma grande cena de batalha, mas esse não era o estilo do ilustrador, e eu queria a arte dele.
Então ele me pediu para mandar um áudio de alguns minutos resumindo a história e, quando ouviu, ele me deu a idéia de colocar na capa a melhor personagem do livro, a Célia.
A ovelha favorita de Shard, personagem principal, transformada magicamente para auxiliá-lo em batalha.
E esse símbolo de folhas dentro do O virou até tatuagem.
#Desafio dos 365 dias, dia 18:
"Seus olhos castanhos o encararam no espelho do banheiro do café enquanto ele puxava o longo cabelo ondulado que herdara da mãe, o prendia em um coque e ajeitava o colete vermelho sobre a túnica branca que realçava a pele negra que herdara do pai. Levou a mão ao bolso e esperou até sentir as pequenas garras segurando gentilmente na pele.
一 Chegou a hora, amigão, vai dar tudo certo 一 disse ele ao pequeno dragão que se empoleirava nas costas de sua mão. As escamas de Maillard brilhavam do violeta ao azul turquesa e a barriga possuía um forte tom de rosa. 一 Está pronto?
Maillard levantou a cabeça e deu um pequeno sopro de fogo para o alto. Fiero sorriu e saiu do banheiro para o salão do café. Os passos no chão de madeira ecoavam como se fossem ampliados por toda decoração em bronze que havia no local. Fiero passou para trás do balcão e foi conferir o café que estava quase pronto. O dragão voltou para o bolso do barista enquanto ele preparava tudo o que precisaria: bateu o leite quente até que formasse uma espuma grossa e o colocou numa bandeja com as duas xícaras, uma pequena peneira de metal, açúcar e o bule de café."
Caramelo é uma história que acontece no universo de O Legado de Esser, e nasceu da minha vontade de mostrar o cotidiano dos não-aventureiros em um mundo fantástico.
#Desafio dos 365 dias, dia 17:
A lendas dizem que o Arquipélago Crescente se formou durante a Guerra da Ruína. O impacto da queda de um enorme titã, jogado das alturas pelos deuses que o enfrentavam, moveu a terra e fez subir várias ilhas.
Hoje esse arquipélago é dominado por piratas, que usam seu formato e os recifes a sua volta como forma de proteção, e sua posição estratégica para iniciar suas viagens.
(Ainda esse ano saem histórias nesse arquipélago)
#Desafio 15
Saudades
Saudades é sentimento nobre!
Desejo de estar e não poder.
Vontade de permanecer,
Ou voltar no tempo,
Ou até experimentar um momento,
Que ainda não pôde acontecer.
Saudades do que não se viveu, existe!
Saudade é sofrer, mas também é viver.
Estar de peito aberto se derramando
Sentimento presente no que ama
Saudade é insistente, latente, é chama.
Saudade, às vezes, é tanta, mas tanta,
Que em um instante de fúria, se inflama.
Queima por dentro em um momento de loucura,
Desperta outros sentimentos transbordando em:
Raiva, lamúria, saudade dolorida, revolta, loucura.
Saudade é fome de sentimento, tem nome, corpo, forma e endereço.
A saudade é limítrofe a razão e emoção.
E vigília constante para mante-la em equilíbrio.
Sentir saudades é preciso,
Mas com cautela ao coração.
MarU
Saudade, a presença da ausência, o silêncio que fala, o vazio que se sente. Você traduziu bem o sentimento através de teus versos, deixo aqui minhas palmas.
#Desafio 14
*Como vinho (Decantar-te)*
Aspira leveza,
Nobreza divina.
Cepa refinada,
Delicadamente maturada,
De exótico “terroir”.
Degustação apurada;
Casta rara,
Coerente ao paladar.
Refresca-me a boca,
Vibrando a salivar.
Sorvendo-te ruidosamente.
Lambendo-te cada gota,
Escorrendo-se na minha boca.
Taninos macios na língua,
Em dulçor a se destacar.
Aprecio-te intensamente.
Gozando prazerosamente.
Ardemos sapidamente,
Mergulhando em êxtase.
Enologicamente, de ti,
Me embriagar.
MarU