Enkidu deixa a estepe
Enkidu deixa a estepe
Enkidu estava diante da mulher. Depois de seis dias e sete noites, esqueceu o lugar em que nascera. A mulher abriu a boca e falou:
Olho para ti, Enkidu, e és como um deus. Por que vagas pelo campo com o gado? Vem, deixa-me conduzir-te a Uruk, à casa sagrada, à morada de Anu.
Levanta-te, Enkidu. Eu te levarei a Eanna, onde está Gilgamesh, perfeito em vigor. Tu o amarás como a ti mesmo. Levanta-te do chão da estepe.
Enkidu ouviu a palavra da mulher, e seu conselho entrou em seu coração. Ela tirou uma veste e o cobriu com ela; guardou outra para si. Tomou-o pela mão e o levou às pastagens férteis, ao lugar dos currais.
Ali puseram comida diante dele. Enkidu, que nascera na montanha, comia ervas com as gazelas e bebia água com os animais. Não sabia comer pão, nem lhe haviam ensinado a beber vinho.
A mulher disse: Come, Enkidu, o alimento da vida. Bebe vinho, costume da terra.
Enkidu comeu até se fartar. Bebeu sete taças de vinho. Seu espírito se soltou, seu coração se alegrou e seu rosto brilhou. Foi ungido com óleo, vestiu-se como homem e tomou armas nas mãos.
Então enfrentou leões, para que os pastores repousassem à noite. Enkidu tornou-se protetor dos rebanhos, homem forte, herói único.