A floresta dos cedros
A floresta dos cedros
Depois, Gilgamesh desejou descer à floresta dos cedros. Enkidu, que conhecia a montanha e os caminhos selvagens, advertiu o amigo:
Conhece, meu amigo, a floresta. Quando eu me movia com os animais, penetrei até seu interior. Ali está Huwawa, cujo rugido é dilúvio, cuja boca é fogo e cujo sopro é morte. Por que desejas avançar até sua morada?
Gilgamesh respondeu com o impulso dos que preferem a glória ao repouso:
Onde houver terror a enfrentar, ali se conhecerá o nome dos homens. Se eu cair, estabelecerei meu nome.
Os anciãos de Uruk trouxeram conselho ao rei:
És jovem, Gilgamesh, e teu coração te arrasta. Não sabes o que propões fazer. Ouvimos que Huwawa é terrível. Quem já se opôs às suas armas?
Ainda assim, Gilgamesh ajoelhou-se diante de Shamash e pediu proteção para a estrada. Tomou o machado, o arco e a aljava. Enkidu abriu a boca e falou:
Se estás decidido a tomar o caminho, que teu coração não tema. Confia em mim.
E assim Gilgamesh e Enkidu partiram rumo à floresta de Huwawa, levando consigo não apenas armas, mas a primeira grande pergunta da epopeia: que vale uma vida sem nome, e que preço tem um nome conquistado contra a morte?