O roubo das peras Confissões · Capítulo 4 de 6
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O roubo das peras

O roubo das peras

Havia uma pereira perto de nossa vinha, carregada de frutos que não eram belos nem saborosos. Fomos, jovens, numa noite, sacudir a árvore e levar dali uma grande quantidade de peras.

Não fizemos aquilo por fome, nem por necessidade, nem pelo prazer do fruto. Tínhamos frutos melhores. O prazer estava no próprio roubo, na cumplicidade do erro, na alegria torta de fazer o que era proibido.

Eu amei minha queda. Amei não aquilo pelo qual caía, mas a própria queda. Minha alma, deformada, afastava-se do teu apoio e buscava perder-se por nada.

Se eu estivesse sozinho, talvez não o tivesse feito. A companhia tornou doce aquilo que era vergonhoso. Assim aprendi que há pecados que não desejam objeto: desejam plateia, contágio e desordem.

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