Toma e lê
Toma e lê
Chegou o momento em que minhas vontades se combateram como exércitos dentro de mim. Eu via o bem, mas ainda estava preso ao hábito. Queria e não queria; aproximava-me e recuava.
Afastei-me, chorando, para debaixo de uma árvore. Perguntava até quando, até quando deixaria para amanhã a vida que já me chamava hoje.
Então ouvi uma voz, como de criança, dizendo: toma e lê, toma e lê. Tomei o livro, abri-o e li as primeiras palavras que meus olhos encontraram.
A frase atravessou minha resistência. Não precisei ler mais. Uma luz de segurança entrou em meu coração, e todas as trevas da dúvida se dissiparam.
A conversão, ali, não foi espetáculo exterior. Foi uma rendição íntima: o instante em que o coração deixa de lutar contra aquilo que já reconheceu como verdadeiro.