III. A máscara que não mentia
Havia uma máscara usada apenas quando a aldeia precisava decidir uma questão difícil. Ela não falava, mas fazia cada pessoa ouvir por dentro a própria resposta. Certa vez, dois irmãos disputaram uma terra. O mais velho dizia que a força lhe dava direito; o mais novo dizia que o trabalho lhe dava razão. Vestiram a máscara no dançarino, e ele girou até levantar poeira. Quando parou, todos ouviram o mesmo pensamento: a terra não pertence a quem grita sobre ela, mas a quem sabe alimentá-la. Os irmãos dividiram o campo e plantaram juntos. Na colheita, descobriram que a terra, quando não é ferida pela ganância, costuma responder em dobro.