Cena IV A Pele do Lobo · Capítulo 5 de 11
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Cena IV

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Os mesmos e Jerônimo

Cardoso - Então é assim que se entra em casa alheia?

Jerônimo (Sombrio.) - Assim como? A casa da autoridade é uma repartição pública. (Deita no chão a cinza de um cachimbo; e escarra na parede.)

Cardoso - E que tal?

Amália - Vê o que ele quer, Cardoso?

Jerônimo - Venho preveni-lo de que é falso o que lhe veio hoje dizer um tal Paraguaçu, acerca de um furto de galinhas. É provável que ele lhe dissesse que eu, Jerônimo Linhares, vulgo Barriga-cheia, sou o autor desse furto, como andou por aí dizendo a quem quis ouvi-lo. É falso! (Cospe outra vez na parede.)

Amália (Empurrando um escarrador com o pé.) - Faz favor de não cuspir no chão... Aqui tem o escarrador... (Jerônimo nem olha para Amália.)

Cardoso - Era só isso? Estou ciente.

Jerônimo - Não, senhor; por isto só não vinha eu cá, ora viva! Venho queixar-me do queixoso por crime de injúrias verbais. Chamou-me de ladrão, e se quiser o mais, mande aquela mulher para dentro. (Cospe outra vez na parede.)

Cardoso - Pois apresente a queixa e as testemunhas.

Jerônimo - A queixa aqui está. (Apresenta um papel sujo, que Cardoso pega com repugnância. Vai à porta do fundo.) Ò Compadre! Ó seu Manuel Maria! Ó seu Vitorino? podem entrar... Nada de cerimônias!

Cardoso (A Amália.) - O tratante dispõe desta casa como se fosse sua!

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