V. Democracia colonial e espírito de união Causas do Heroísmo Paraguaio · Capítulo 5 de 11
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V. Democracia colonial e espírito de união

Aquela sociedade militar não era fanática no grau em que o foram e o são outros americanos.

No Paraguai não houve autos de fé. Os dentes da Inquisição aqui não mordiam. Ela se amoldava ao meio, pouco propício a perder a paciência buscando hereges. Ao militar sempre em campanha resta pouco tempo para dedicar ao fanatismo. Além disso, o jesuíta era odiado pelo encomendero: passava por usurpador das Missões. Através dos anos, o Paraguai ainda é o povo menos fanático da América. O sacerdote que quer ser escutado deve falar tanto da pátria quanto do céu.

Era uma democracia. Azara, que por sua posição conspícua a viu de perto, diz: “Todos convêm em considerar-se iguais, sem conhecer aquilo de nobres e plebeus.” Ainda há no Paraguai uma igualdade que há de assustar o aristocrata. Pi y Margall admirava este nosso modo de ser. Não há classes opressoras nem oprimidas. Nem a aristocracia do dinheiro se formou ainda. A raiz dessa democracia está, como se viu, em certa profundidade de nossa história.

Aquela gente era turbulenta. O Paraguai, dizia Pinedo, tem a nota de infiel e rebelde.

E esses infiéis eram muito unidos. O espírito militar, ou espírito de corpo, fazia com que se levantasse a colônia inteira cada vez que se levantava. A Pinedo isso o desconcertava, e ele o explicava atribuindo certa função subversiva ao idioma guarani.

Preparavam-se os elementos da futura nacionalidade, devidos a esse espírito de corpo, à identidade de hábitos e de língua e à impressão profunda do clima. O Paraguai seria uma nação com selo original e castiço.

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