VIII. Instrução e orgulho nacional Causas do Heroísmo Paraguaio · Capítulo 8 de 11
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VIII. Instrução e orgulho nacional

Escritores superficiais dizem que aquela gente era muito ignorante. Não era instruída, mas era inteligente, desperta; e, à morte de Dom Carlos, quase não havia analfabetos, havendo menos no Paraguai, proporcionalmente, que na Europa. Mas, hoje mesmo, de todo modo, eu não sei que haja povo muito instruído.

Nem é preciso ser literato ou sábio para ser fanático pela única coisa pela qual convém sê-lo: pela pátria. “Se meus soldados fossem filósofos, não lutariam”, dizia o general Hoche.

Que não havia espírito público?

Certo, não se politiqueava com maior ou menor picardia. Havia tirania, e a tirania é coisa má. Mas onde havia espírito público? De verdade, quero saber onde o havia.

Na nação mais flexível e mais móvel do mundo, na França, só o houve desde 1830. Antes só houve explosões, diz um francês inteligente.

Nem para idolatrar a independência é preciso muito sentido político. O civismo é das épocas agitadas. O patriotismo é de todos os tempos. Não sei se havia opinião pública em Esparta. Creio que não. Mas sei que havia heróis em Esparta.

Em Buenos Aires, naquele foco de luz, a duras penas se vai formando agora um pouco de civismo. Nas províncias há inércia política, e isso que a República Argentina, a cada vaga do oceano, recebe imigrantes, capital e ideias. Não exijamos do pobre Paraguai aquilo que não houve, nem há, em outros povos americanos.

Orgulho nacional, isto sim havia em forte dose, e no momento bastava para saber morrer pela pátria. O picante Larra escreveu, brincando: “É demasiado certo que só o orgulho nacional faz as nações empreenderem e levarem a cabo coisas grandes.”

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