VI. A alma da pátria Causas do Heroísmo Paraguaio · Capítulo 6 de 11
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VI. A alma da pátria

Conquista sua independência e, quando a vê ameaçada, concentra-se sem receber um só imigrante durante meio século, porque meio século durou a ameaça.

Formou-se uma unidade nacional; os paraguaios pensavam, falavam, sentiam, viviam de idêntica maneira. As mesmas qualidades, os mesmos defeitos.

Aqui não houve guerras fratricidas nem facções. A sociedade não se fracionou por causa de partidos políticos mais ou menos patriotas, mais ou menos criminosos. Rengger, quando veio ao Paraguai, ficou assombrado e escreveu que nosso país “se distingue por um espírito de união que converte toda a nação numa só família”. Demersay não se esqueceu de dizer: “A população apresenta a mais inteira uniformidade de costumes, de gostos, de hábitos e de sentimentos religiosos.”

Aquela sociedade de irmãos fez-se zelosa, idólatra de sua independência. Cria-a em perigo, e com razão, antes, durante e depois de Rosas; e por isso a amava com delírio, porque a cria em perigo.

O paraguaio era e é amável, generoso, hospitaleiro, mas uma coisa o punha e o põe furioso: a ideia de que pudesse mudar de nacionalidade. É o ponto sensível. Cuidado ao tocar ali.

O Paraguai adiantou-se a seus irmãos em ser nação, uma coisa à parte. Desde o primeiro passo da independência, existiu a alma da pátria.

“Esta alma é indestrutível.” Para matá-la seria preciso matar a criança, até a última mulher, depois de ter morto o último soldado. A guerra foi desgraça enorme, mas aquela alma, maior que toda desgraça, flutuou sobre nossas ruínas.

Estou inclinado a crer que as grandes dores nacionais deram vida mais intensa, se possível, à alma da pátria. “O sofrimento comum une mais que o gozo; em matéria de recordações nacionais, os lutos valem mais que as vitórias”, diz Renan.

A pouca extensão do Paraguai propriamente dito contribuiu também para que fosse tão ardente o patriotismo, transformação ou nome distinto daquele espírito de união de que falei.

O entusiasmo nacional é uniforme e vivo nos habitantes de um pequeno território, diz Buzot. Numa nação pequena, os homens se conhecem e se amam. Esse amor é o amor à pátria, diz Pi y Margall. E, ao contrário, não disse Voltaire que quanto maior é a pátria em extensão territorial, menos se a ama?

Parece mentira! Têm bastante a ver o território e o patriotismo, as fronteiras e o sentimento, a geografia e o coração.

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