Bondoukou e a borda da floresta Baoulé, Agni e Abron · Capítulo 1 de 5
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Bondoukou e a borda da floresta

Ao narrar a África Ocidental dos séculos recentes, Delafosse observa que, depois dos grandes Estados mandingas, songais, mossis, peúles, bambaras e tuculores, havia muitos outros povos que não deveriam ser deixados à margem apenas por não terem formado impérios de igual fama.

Seguindo a zona costeira em direção ao sul e ao leste, o autor passa por sucessões de povos e territórios até chegar às bordas da grande floresta. Ali, entre a floresta densa e as rotas de comércio, aparecem grupos cuja história não se deixa reduzir às linhas de um mapa militar ou administrativo. A região de Bondoukou surge nesse percurso como um ponto de encontro entre deslocamentos, poderes locais e o avanço de forças vindas de outros territórios.

Delafosse lembra que Samori Touré, conquistador mandinga originário do Ouassoulou, ao deslocar-se para leste sob pressão francesa, devastou Kong, o Gulmini e a região de Bondoukou, na Costa do Marfim, em 1894 e 1895. Depois atacou tropas britânicas da Costa do Ouro e, mais tarde, foi capturado a nordeste da Libéria. O episódio coloca Bondoukou como uma região atravessada por tensões políticas amplas da África Ocidental, mas também como uma zona com história própria, ligada a povos que sobreviveram a impérios, rotas comerciais e campanhas militares.

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