Inteligência, língua e artes Baoulé, Agni e Abron · Capítulo 3 de 5
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Inteligência, língua e artes

No capítulo dedicado às manifestações intelectuais e artísticas, Delafosse enfrenta uma ideia corrente em sua época: a suposta inferioridade intelectual dos africanos negros. Ele afirma que tal inferioridade nunca fora demonstrada de modo convincente e que, muitas vezes, confundia-se ignorância escolar com inteligência.

Para julgar as capacidades intelectuais de uma população, escreve ele, não basta escolher alguns indivíduos, retirá-los de seu meio e colocá-los bruscamente em outro mundo. É preciso observar a evolução normal da coletividade. Delafosse argumenta que os povos negros da África haviam sido longamente isolados por barreiras naturais e por contatos externos que muitas vezes levaram escravidão, violência, imposição religiosa e exploração, em vez de condições reais de desenvolvimento compartilhado.

Ainda assim, esses povos organizaram Estados, mantiveram centros de estudo como Tombuctu, produziram governantes, conquistadores, letrados, sábios, línguas de grande riqueza e precisão, e até sistemas de escrita criados de forma independente, como os dos Vaï e, mais tarde, dos Bamum. Para Delafosse, esses fatos bastavam para recusar a tese de inferioridade intelectual.

O autor também reconhece o dom artístico dos povos africanos. Menciona disposições musicais, instrumentos, melodias, improvisações poéticas, joias, cerâmicas, esculturas em madeira e marfim, trançados, tecidos e ornamentação. Em seu olhar, há ainda marcas de seu tempo e limites coloniais evidentes; mesmo assim, a passagem conserva uma força rara dentro da literatura europeia da época: ela insiste que onde muitos queriam ver ausência, havia inteligência, linguagem, técnica, beleza e criação.

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