Baoulé, Agni e Abron Baoulé, Agni e Abron · Capítulo 2 de 5
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Baoulé, Agni e Abron

A leste dos Kroumen, escreve Delafosse, a floresta equatorial e seus arredores, do Bandama ao Volta, são habitados principalmente por um grupo de populações notáveis sob o aspecto intelectual. A civilização material desses povos podia parecer simples aos olhos europeus de seu tempo, mas o autor reconhece neles uma vida social rica, marcada por cuidado corporal, etiqueta complexa e formas variadas de organização política.

Algumas frações desses povos haviam alcançado um estágio político relativamente avançado; outras viviam em estruturas menos centralizadas. Delafosse enumera, nesse conjunto, os Baoulé, os Agni, os Zéma ou Apolloniens, os Abron, os Achanti e os Fanti. A enumeração é vasta, mas para a Costa do Marfim interessam especialmente os Baoulé, os Agni e os Abron.

Sobre os Abron, Delafosse registra que fundaram, no século XV, na região de Bondoukou, um Estado sabiamente organizado que ainda existia à época em que ele escrevia. A observação é breve, mas importante: em poucas linhas, o autor reconhece a existência de instituições políticas africanas fortes e duradouras, anteriores ao domínio colonial europeu e capazes de organizar território, poder e continuidade histórica.

Os Baoulé e os Agni aparecem, no mesmo quadro, como parte de uma zona cultural de grande complexidade. A passagem não pretende contar sua história inteira, mas serve como testemunho de que a Costa do Marfim não pode ser lida apenas como litoral, colônia ou fronteira administrativa. Ela é também espaço de povos com memória, diplomacia, comércio, estética, língua e instituições.

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