Capítulo XVIII Caetés · Capítulo 18 de 31
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Capítulo XVIII

ÁRIAS VEZES peguei a Bíblia para tirar dinheiro, e o livro sempre se abíriu no Eclesiastes, mostrando-me a frase de Salomão enjoado. Repetindo-a, senti uma atroz amargura.

Uvas verdes. Que me importava Salomão?

Num sombrio acesso de desespero, pensei no suicídio.

Tolice. Eu tenho lá coragem de suicidar-me? O que fiz foi passar uns dias quási sem comer. A escrituração ficou atra sada uma semana, o que me valeu duas observações de Vitorino, e abandonei o jornal de padre Atanásio e os caetés.

Para que mexer nos caetés, 'uma horda de brutos que outros brutos varreram há séculos?

Só Luísa me preocupava. Desejei-a dois meses com uma intensidade que hoje me espanta. Um desejo violento, livre de todos os véus com que a princípio tentei encobrí-lo. Amei-

-a com raiva e pressa, despi-me de escrúpulos que me impor tunavam, sonhei, como um doente, cenas lúbricas de arrepiar.

Quando ia a casa dela, mostrava-me taciturno e esquivo. Vinha-me às vezes uma espécie de deliquio, parecia-me que o coração deixava de pulsar, c cra um frio, uma angústia, sen sação de vácuo imenso. Estava sempre a sobressaltar-me, como se em redor me lessem na alma. Transparecia nos meuB modos uma irritação que procurei conter debalde; se alguém me interrogava, respondia com palavras secas e breves.

E quanto disparate! Uma noite cumprimentei deste modo o reverendo, que chegava: “Adeus, padre Atanásio. Divirta-se? Riram em torno, gaguejei explicações parvas e encolhi-

-me, rangi os dentes, sentindo a vaga tentação de estrangular o dr. Castro, que sorria para Clementina.

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