Memorial Cântico dos cânticos para flauta e violão · Capítulo 4 de 15
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Memorial

Gesto de pudor de minha mãi

Estrela de abas abertas

Não sei quando começaste em mim

Em que idade

Em que eternidade

Em que revolução solar

Do cláustro materno

Eu te trazia no colo

Maria Antonieta d’Alkmin

Te levei solitário

Nos ergástulos vigilantes da ordem intraduzivel

Nos trens de subúrbio

Nas casas alugadas

Nos quartos pobres

E nas fugas.

Cais de minha vida errada

Certeza do corsário

Porto esperado

Coral caído

Do oceano

Nas mãos vazias

Das plantas fumegantes.

Mulher vinda da China

Para mim

Vestida de suplícios

Nos duros dorsos da amargura

Para mim

Maria Antonieta d’Alkmin.

Teus gestos saíam dos borralhos incompreendidos

Que tua boca anciosa

De criança repetiam

Sem saber

Teus passos subiam

Das barrocas desesperadas

Do desamor

Trazias nas mãos

Alguns livros de estudante

E os olhos finais de minha mãi.

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