Amiga folhagem Contos Populares do Brasil · Capítulo 64 de 89
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Amiga folhagem

bem o motivo. A onça andava sempre a ver se pegava o macaco; mas o macaco, muito arteiro, sempre escapava dela. Ora, houve um tempo em que todos os rios e fontes do mundo secaram, e a onça ficou contente, porque supunha que desta vez o macaco lhe não escaparia. Largou-se e foi esperá-lo no lugar único em que havia água, e que estava servindo de bebedouro a todos os bichos. O macaco foi beber água e por um triz que não morreu. Mas sempre escapou-se, e ficou com muito medo. Então ele engenhou um meio de escapar da onça, e foi o seguinte: encontrou um viajante que levava umas cabaças de mel de uruçu; apoderou-se de uma delas, e lambuzou-se bem no mel e depois se cobriu todo de folhas bem verdinhas, e largou-se pelo mundo a fazer estrepolias. Logo chegou aos ouvidos de todos os bichos que tinha aparecido um bicho novo, a que chamavam amiga folhagem. Assim o macaco bebeu água, e escapou. Nessa ocasião a onça lhe perguntou quem era, e ele respondeu:

“Eu sou a folharada,

Sempre que vier beber

Tenho de ser transformada.”

Erealmente as folhas lhe foram caindo da pele e também o pelo. Foi então o macaco à fonte; lhe perguntaram quem era; ele respondeu:

“O tronco da folharada;

Todas vezes que aqui bebe

Étransformada...

Desde que nesta casa bati

Nunca mais água bebi...”

Houve muita gargalhada, e o macaco ficou bebendo água desassombrado.

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