O jabuti e o caipora
O JABUTI CHEGOU AO OCO de uma árvore; pôs-se a tocar a sua gaita. O caipora ouviu e disse:
— Ninguém pode ser senão o jabuti. Eu vou apanhá-lo. Chegou à boca da toca da árvore. O Jabuti tocou na frauta:
Li, ri, li, ri...
Lé, ré, lé, ré...
Ocaipora chamou: — Ó Jabuti! O Jabuti respondeu: — Oi!
— Vem, jabuti! Vamos ver quem tem mais força! Ojabuti respondeu: — Vamos ver, como tu quiseres! Ocaipora foi ao mato, cortou um cipó, trouxe o cipó à beira do rio, e disse ao jabuti:
— Experimentemos, jabuti! Tu na água, eu em terra. Ojabuti disse: — Pois bem, caipora! Ojabuti saltou na água com a corda, e foi amarrar a corda na cauda de uma baleia. Ojabuti voltou para terra, e escondeu-se debaixo do mato. Ocaipora puxou a corda. A baleia fez força, arrastou o caipora pelo pescoço até a água. O caipora fez força para puxar o rabo da baleia para terra. A baleia fez força e puxou o caipora pelo pescoço até a água. Ojabuti debaixo do mato estava vendo todo, e riu-se. Quando já o caipora estava cansado, disse:
— Basta, jabuti. Ojabuti riu-se, saltou à água, foi desatar a corda da cauda da baleia. O caipora puxou a corda com ele. O Jabuti chegou à terra. Ocaipora perguntou-lhe:
— Tu estás bem cansado, jabuti? O Jabuti respondeu: — Não! Não suei nada! Ocaipora disse: — Agora, com certeza, jabuti, sei que tu és mais valente do que eu! Vou-me embora.66