Final Vida e Amor Sonetados · Capítulo 6 de 7
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Final

A NAMORADA DO SOL

O astro sol por somente um dia

Sentiu o meu prazer, meu privilégio

E estendeu ao meu bem seu sortilégio

Brilhando com uma luz que não se via.

E minha amada que se divertia

Não percebeu que o sol egrégio

Se insinuava em tom régio

Ardendo como nunca ardia.

Assim o sol lá do topo

Beijou minha amada e todo o seu corpo

Por muitas horas, de ou onze.

Mas se inclinando a Terra,

O sol seu flerte encerra

Deixando em minha dona a cor de bronze.

QUEM PRIMEIRO SOUBE QUE TE AMO

Quem primeiro soube que te amo?

Certamente tu não foste.

Soube a Terra, e as estrelas em hoste,

Souberam antes que te amo.

Quem primeiro soube que te amo?

Não foste tu, decerto,

Foram teus pais e quem estava por perto;

Souberam antes que te amo.

Soube primeiro o Inventor do amor,

Soube porque sendo amoricultor,

Soprou-me nas narinas teu gostar.

Quem primeiro soube que te amo

Foi tudo que ouve, vê o que proclamo,

Tudo que é, se move e tem hábitat.

PELA TUA ÓRBITA

O sol nasce de um lado

E percorre a Terra pra no outro descansar.

Depois de passar o dia ocupado,

Manda que a lua tome o seu lugar.

Então vem a lua nesse traslado

Para as faces da Terra vigiar,

Altiva a terra com tamanho cuidado

Não poderia senão se ataviar.

Como a Terra que noite e dia

Tem sobejo de fina companhia,

A evidência por ti sempre opta.

E sou eu que faço esse trabalho

De ser constante pra ti, nunca falho,

Ao mover-me pela tua órbita.

MINHA MAIOR RIQUEZA

Dei-te a minha maior riqueza

E da tua riqueza também me deste.

Meu recurso de maior despesa

Dei-te e nele tu investes.

Demo-nos ao tempo, que com certeza,

É o mais vivo presente, the best,

E para se saber de algo a natureza

Não há outra forma que esta conteste:

Dar tempo ao que por ora germina

Para ver a sua frutescência,

Pois o tempo mostra a realidade.

Há coisa que começa e termina,

Mas tudo que encontra sua essência

Ganha de brinde a felicidade.

SONETO À MULHER PERFUMADA

Quando se me apresenta ela

Todo embebida em unguento,

Seus braços e pernas são pétalas

Que exalam a todo momento.

Seu hálito de rosa revela

Lábios de sândalo sedentos

Do perfume dos astros e das estrelas,

Visto que os da terra tem a contento.

Quando perfumada, vê-se sua aura

De crisântemo que me restaura

E refina e repara o olfato.

É a alma a transcender na pele,

É a natureza pedindo que zele

O seu dom fragrante e intato.

SONETO À MULHER MAQUIADA

És uma pintura neorrenascentista,

Cuja própria face é a tua tela.

É nela e exclusivamente sobre ela

Que fazes teu movimentos de artista.

Tens uma arte em voga, benquista,

Que à de Da Vinci se nivela,

Porquanto tens métodos quando pincelas

E uma sensibilidade que apetece a vista.

E vens a suplantar os antigos ainda

Porque não dispões de todas as cores,

Ademais, nem todas elas convêm.

Entregas a tua obra facial linda

Aos beijos repletos de amores

Deste poeta que tanto te quer bem.

SONETO DO LAÇO

Quando nossos caminhos são vetores

Bem mais opostos que constantes,

É um mar que se enche de dissabores

A cada metro que ficamos distantes.

Dizei aos céus que nos ouçam os clamores

Que, entoados uníssonos e incessantes,

Sejam um discurso a conseguir favores

Colocando-nos lado a lado como antes.

Dize-o, querida, que o céu decreta

Que por através de passagens secretas

Regresses, por tempo ou por espaço.

Dizei ao círculo da Terra que te permita

Escorregar a mim feito uma fita

Que no nosso encontro se faz um laço.

TRAVESSEIRO DE CABELOS CACHEADOS

Os melhores sonhos atrelados

Ao travesseiro dos mais macios,

É o travesseiro de cabelos cacheados,

Donde nunca se sonha desafios.

Além de já dormir ao teu lado,

O que me gera afáveis arrepios,

Ainda apoio meu rosto sobre o acolchoado

Travesseiro mais caudaloso que rios.

É travesseiro vivo que tu me estendes

Que muita fragrância compreende;

De aromas, de belezas e rodopios.

Salve o dormir sobre teus cabelos,

Mais que as plumas apresentam desvelo,

Têm o amor de sua dona em todos os fios.

TEU ESPREGUIÇAR

Quando abres os braços assim,

Algo há que a paixão atiça.

Os braços que abres espantando a preguiça

São os mesmos co’s quais chamas a mim.

Teus olhos amendoados, slim,

São a prova que todo o corpo se espreguiça.

Os olhos que fechas espantando a preguiça

São os mesmos co’s quais chamas a mim.

O teu espreguiçar me é um ritual

De contemplação e inspiração matinal,

Porque tua magia não é omissa.

Teu revitalizar é único em beleza

Que me alegra e alegra a natureza

No átimo charmoso que te espreguiças.

CONTRA O SOL

O sol acorda do meu lado direito

E tu me dás bom dia pela sinistra,

Deitada, ainda sonolenta em meu peito,

Desde aí o meu dia tu ministras.

Ele caminha pelo firmamento dum jeito

Que meia face do mundo conquista

E tu caminhas pela casa, perfeito

Andar que enche minha vista.

Se põe o sol pelo lado esquerdo

E pela destra inda da noite cedo,

Vens te recolher comigo, alegria tamanha.

Não se cruzam uma vez ao dia,

Parece que um ao outro porfia

Pra ver quem mais luz ao mundo banha.

O ÚLTIMO POEMA

Escrever para ti muito me requer

E nunca te expus o quanto isso me exige,

Mas é-me preciso estudar com fé

E não surgindo versos o coração se aflige.

Por isso escrever-te é um monte cujo sopé

É do tamanho do milenar Fuji

Ou qual o ciclo brando da mare

Que vai e volta no texto e o corrige.

E este é o ultimo poema que te escrevo

E neste desplante que me atrevo

Também posso explicar minha vertente.

Por mais que me seja um dilema,

Quando eu disse que era o último poema

É só no sentido de ser o mais recente.

SONETO PARA A ENVAIDECIDA

Se te chamo linda, o dobro te aformoseias

E se enrubescem teus zigomas

Evidenciando claros sintomas

Do quanto tu te incendeias.

E mesmo antes que meu texto leias,

Quiçá só do elogio os aromas

Te fazem abalelar os idiomas

E te admiras, meu bem, te recreias.

Gosto então de te ver pedante

E de te ver demasiada delirante

E mais panegíricos te ofereço.

Para que saibas que és uma entre mil,

Que igual a ti humano nenhum viu…

Só sou poeta porque te envaideço.

INCOCEGÁVEL

Se atrito meus dedos com suas costelas

Ou os deslizo na cavidade das axilas,

Pouca coisa vejo que oscila,

Continua o mesmo riso de donzela.

Se passo no seu pescoço a ponta da flanela,

Permanece com o mesmo riso de tranquila,

Seu corpo não se move nem flabela.

É uma austeridade que cintila.

Ela sabe que é às cócegas imune,

Mas o seu não rir não me pune,

Antes me é uma característica adorável.

Assim divirto-me em lhe fazer carinho,

Posto que rir, eu ria sozinho

Porque sei que é ela uma moça incocegável.

TUA VOZ

Tua voz não é a mais alta na multidão,

Porém, augusto anjo, é a que mais se escuta

Porque desvozeadas vozes refuta

Meu ouvido e te ouve com o coração.

Tua voz não é a mais alta na multidão,

No entanto encontrou a alma forma augusta

De calar qualquer estampido que contigo luta

E abrir a ti os ouvidos do coração.

Tua voz não é a mais alta da multidão,

Mas é a que mais se exalta

E como assim se não é mais alta?

É que é voz de grande mansidão

Que por seres de caráter tão bom,

Leva-a ao infinito a física do som.

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