Parte IV Vida e Amor Sonetados · Capítulo 4 de 7
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Parte IV

A TI, MAGIA; A MIM, POESIA

Não sei qual o segredo para seres quem és,

Sei que de segredo te embelezas

E, deslumbrante sendo da cabeça aos pés,

Eu só poetizo aquilo que tu prezas.

Não sei o segredo para seres quem és

Assim como as carolas sabem suas rezas,

Mas pela tua magia e dela através

Eu conheço de bonomias a tua riqueza.

Eu que muito não sei te explicar,

Te observo ser dentre os seres,

Quem o mundo precisa pra ser bom.

Já que a ti te foi dado poder a espalhar

Prodígios muito além dos saberes,

A mim foi dada a poesia, mais fácil dom.

CORAÇÕES EQUILIBRADOS

O meu coração no teu se equilibra

E sem dolo e sofisma, se pendura,

Agora ri, comemora e vibra

O estado alcançado de doçura.

E nesse átimo que ele se apura

Sai esbanjando alegria em cada fibra,

Com uma resplendorosa desenvoltura

Mais valiosa que euro e libra.

A melhora é gerada por tua presença

E cultivada pelos teus carinhos,

Que são a mais pura recompensa.

A tua presença é gerada por minha melhora,

Suplantando as dores e os espinhos

Que sufocaram minha’lma outrora.

QUEIXUME DAS FLORES

Então vem das margaridas o queixume

E a estas se opõem as tulipas e camélias,

Dizem que escamoteaste o seu perfume

E que por isso as deixaste mais velhas.

Então vem das orquídeas o ciúme

E lhe reforçam girassóis e groselhas,

Que pegaram das anteriores o costume

De invejar o teu perfume de donzela.

Uma vez que fragrância não tem patente,

Erram e erram conscienciosamente

Quando declaram que pegaste sua essência.

Minha visão é que deslindando todas as flores,

Tão maiores são os teus olores

Que as levariam, flor minha, à falência.

APÓS O PRIMEIRO BEIJO

Chegaste de modo a alegrar o ambiente;

Tua presença é notada num segundo.

Estavas linda, contou-me a agente,

Enquanto me debatia num duvidar profundo.

Permaneci ali quieto e reticente,

Apático, fechado no próprio mundo;

Pois assim como no ano corrente,

Um riso teu e eu fico pudibundo.

Fui dormir completamente determinado

A vencer-me os dotes de envergonhado

E deixar de ser tímido e frouxo.

Sem saber eu que um ano depois,

Conversaríamos tranquilamente nós dois

E nos veríamos sempre com um muxoxo.

RELÓGIO DE MÁ VONTADE

O relógio sabe que ver-te-ei mais tarde

E faz questão de andar bem vagaroso,

Parece uma criança birrenta a fazer alarde

Quando ordena ao ponteiro o andar penoso.

E as engrenagens obedecem ao comando rigoroso,

Decerto sabem que se tornaram malvadas,

Pois se movimentam lentamente a me deixar nervoso

E, distraídas, seguem assaz despreocupadas.

Os segundos são preguiçosos, é a verdade!

As horas disputam lentidão com as lesmas

Até o fim do dia, quando não são as mesmas.

Porque ganham uma super celeridade

Para compensar atraso a tal ponto,

Que creio ser mais rápido e injusto que o desconto.

QUE BOM É SONHAR COM UMA LEMBRANÇA!

Vinhas sorrindo e sorrindo eu ia,

Tu vestias flores, as flores que eu levava,

Tu te adornavas enquanto eu declamava

A poesia do nosso amor. Ah! A poesia...

Vinhas célere e célere eu me dirigia,

E mais bela que nunca eu te avistava;

Tu, com pequenas mãos acenava

Para ouvir-me dizer. Ah! Eu dizia...

Desta vez acordei melhor e mais feliz,

Pois percebes que essa lista do que fiz

Não passou de um envolvente sonho,

Mas os fatos que no papel disponho

Não idealizam uma distante esperança;

Antes, encadeiam o sonho de uma lembrança

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