20 de janeiro de 1928
Heloísa: As cartas que te envio já se vão tornando maçadoras, não é verdade? Ficas assustada, certamente, com a exuberância de tinta gasta, de papel inutilizado, e pensas, aflita, no trabalho que terás para dar resposta a tanta coisa. Não te preocupes. Não precisas consignar o que te mando num registro em que escritures com paciência o assunto, a data, o número das palavras. Escreve-me quando tiveres tempo, a lápis, num pedaço de papel de embrulho. Não releias nem emendes: o que sair sai bem.
[Lacuna ou continuidade por conferir]
Enquanto não vou, podemos, se te agrada, ir conversando no papel, eu de cá e tu de lá, como diz a cantiga, descobrindo-nos um ao outro e aumentando, por patriotismo, as rendas do serviço postal.
[Lacuna ou continuidade por conferir]
Adeus. Vou sonhar contigo. Teu Graciliano. Palmeira, 20 de janeiro de 1928.