Capítulo 16 Sinais da Terra Entre Estrelas e Batidas Aceleradas · Capítulo 16 de 20
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Capítulo 16 Sinais da Terra

O retorno à Terra foi como um salto entre sonhos: Luna de volta ao azul, ao ar úmido, às burocracias da NASA — e às músicas dançantes no fone de ouvido. Só que agora, entre uma missão e outra, havia um detalhe secreto que fazia seu coração disparar como um solo de saxofone em pleno jazz: as chamadas com Alion.

Elas não vinham por e-mail, nem por satélite oficial, claro. A comunicação usava os cristais orgânicos vibratórios que ele havia deixado com ela — uma tecnologia tão avançada e sensível que conseguia transformar vibrações em linguagem, como se o planeta cantasse as palavras.

— Sinal claro hoje. Deve estar com o céu limpo por aí — disse Luna, ajeitando os fios do cabelo curto em frente ao espelho. Parecia casual, mas estava arrumada demais para quem só ia “atualizar planilhas”.

— Céu limpo e temperatura agradável. Apesar de um pequeno incidente com um organismo saltitante que achou meu transmissor apetitoso — respondeu a voz dele, música pura. — Resolvido com diplomacia e um leve susto.

— Diplomacia interplanetária envolvendo gritos, imagino.

— Só um "ah!" muito contido. Quase elegante.

Essas conversas se tornaram rotina. Ao final dos dias de trabalho, enquanto os colegas achavam que ela se desconectava do mundo, Luna se conectava a outro. Literalmente.

Ela andava pela casa com o cristal no pescoço, e a voz de Alion surgia clara, como se estivesse ao lado. Eles conversavam sobre tudo: filmes (que ele tentava entender pela descrição), danças (que ele interpretava como "rituais coordenados de expressão corporal"), e até sobre o trânsito terrestre.

— Os humanos realmente param seus veículos para um sinal colorido?

— Sim. Vermelho: pare. Verde: vá. Amarelo: acelere com culpa.

— Fascinante.

Mas nem tudo era piada. Havia também os planos.

— Já estamos na segunda fase do Projeto Camaleão

— disse ele em uma das noites. — Desenvolvemos um tecido orgânico que se adapta à atmosfera da Terra e muda levemente a pigmentação da pele. Suficiente para que eu possa andar entre os humanos com... digamos, uma leve vibe exótica.

— Tipo "modelo internacional misterioso"?

— Exatamente o arquétipo que usamos como referência.

A cada semana, ele trazia um novo avanço: identidade civil registrada com ajuda de um contato infiltrado, treinamento em expressões idiomáticas ("ainda acho que 'tô nem aí' precisa de contexto"), e simulações de eventos sociais. Uma vez ele tentou um jantar simulado com talheres e confundiu o garfo com um suporte para fones de ouvido.

— Vamos fazer isso com calma — dizia Luna. — Um passo de cada vez. Quando estiver pronto, você vem. Até lá, continuamos assim: apaixonados em alta frequência.

— Frequência modulada em 528 hertz. Amor com ressonância harmônica.

E mesmo com as saudades e o aperto no peito, Luna sabia que estavam construindo algo mais forte que a distância. Uma relação que crescia nos silêncios compartilhados, nas risadas fora de hora, e nas notas musicais que vibravam do colar até seu coração.

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No fim daquele capítulo de suas vidas, ela olhava as estrelas todas as noites. Não como antes, em busca de respostas. Mas agora, com a certeza de que, em alguma delas, alguém também olhava para o céu — pensando nela.

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