Capítulo 17 Infiltrado com Estilo Entre Estrelas e Batidas Aceleradas · Capítulo 17 de 20
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Capítulo 17 Infiltrado com Estilo

O módulo que o trouxe Alion, pousou sem alarde numa clareira cuidadosamente escolhida. Era o tipo de lugar onde nem o Google se arriscava com o Street View. Isolado, discreto e com uma quantidade assustadora de esquilos que, aparentemente, achavam que a nave era uma noz moderna. Luna chegou com o coração acelerado. Era quase surreal vê-lo de novo — dessa vez, sem traje espacial, sem vidro entre eles, sem tempo contado. Era só... ele. Em pé, no meio do mato, com um moletom roxo, calça mostarda e um par de óculos escuros grandes demais para o formato de seu rosto.

— Eu tentei me vestir como um "homem moderno com estilo casual", segundo a base de dados visual que você me mandou.

— Você parece um artista conceitual dos anos 90 que se perdeu a caminho de um festival de jazz.

— Então estou dentro do esperado.

Ela o abraçou com força. O cheiro dele era familiar: um misto de minerais aquecidos, folhas e... algo quase como lavanda cósmica.

— Como foi a viagem?

— Tranquila. Salvo um momento em que meu sistema orgânico de aterrissagem pensou que um tronco era um ponto de apoio. Tenho um arranhão e um novo respeito pelas árvores. — Normal. Aqui na Terra elas também gostam de surpreender a gente.

No caminho até o carro, ele examinava tudo com olhos encantados. Apontou para um poste de iluminação pública:

— Esse ser emite luz noturna. Ele é do clã dos vigias?

— É... algo assim. Ele só ilumina, não te julga.

Chegando ao carro, Alion tentou abrir a porta do lado do motorista, confundindo os lados novamente.

— Ainda estou me adaptando à noção de “direita e esquerda”. No meu planeta usamos referências como “direção do sopro estelar” e “curva do musgo”.

Luna riu alto.

— Na Terra é bem mais confuso, pode acreditar.

Chegaram em casa sem grandes incidentes — exceto pelo momento em que Alion apertou a campainha seis vezes seguidas porque a melodia “era hipnoticamente ritmada”. Luna quase o empurrou para dentro.

— A ideia é não parecer que estamos invadindo o lar, tá?

— Mas o som... parecia me chamar.

Ele olhou o apartamento com olhos fascinados, tocando cada coisa como se fosse arte viva.

— Esta é a sua nave doméstica? Tem uma vibração acolhedora... e cheiro de café e música.

— É meu santuário. Aqui ninguém vai te encontrar. Nem te julgar por escolher essa calça.

Instalado no sofá, Alion pegou o controle remoto com o entusiasmo de quem achou um artefato lendário. Apertou um botão e a TV ligou direto em um reality show culinário.

— Essas pessoas estão discutindo porque o purê de batata está emocionalmente mal resolvido?

— Basicamente. A TV é assim: drama com carboidrato.

Enquanto tomavam chá — que ele virou no colo tentando descobrir “o tempo exato em que ele atinge o ponto de prazer térmico” — Luna suspirou, feliz.

— Você chegou, Alion. Estamos juntos. Na Terra. No meu lar.

Ele sorriu, o rosto azul iluminado pelas luzes suaves da casa.

— E pela primeira vez em ciclos, sinto que estou... onde deveria estar.

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Agora as estrelas estavam do lado de fora da janela. E eles estavam juntos, cercados por travesseiros, livros de cultura terrestre e um gato holográfico que Alion jurava ter adotado sem querer por baixar um aplicativo de meditação.

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