A Banheira Fria A Baba da Casa Azul · Capítulo 3 de 4
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A Banheira Fria

Júlia fingiu aceitar a versão de Helena até a médica subir para sedar as crianças. Usou o telefone da cozinha para ligar à polícia, porém a linha estava muda. Pegou os cadernos de Clarice, fotografou as receitas e acordou Tomás com cuidado. O menino contou tudo olhando para a parede. Clarice havia descoberto que Helena falsificava laudos de pacientes ricos em troca de dinheiro e decidiu mandar provas à avó. Na noite da morte, a mãe deu remédio à filha e a levou ao banheiro. Tomás viu a água transbordando por baixo da porta. Nina ouviu Clarice bater três vezes na banheira antes de parar.

Helena apareceu no corredor com uma seringa na mão. A médica ainda tentava falar baixo, convencer, reorganizar a noite com frases limpas. Disse que Clarice era instável, que crianças inventavam monstros para explicar acidentes, que Júlia perderia qualquer emprego se repetisse acusação sem prova. Júlia segurou Tomás atrás do corpo e respondeu que prova tinha nome, letra e assinatura. Helena avançou. A casa reagiu antes de Júlia. A porta do banheiro abriu com violência, a torneira ligou sozinha e água gelada invadiu o corredor. Nina saiu do quarto segurando a boneca sem olhos e disse que a irmã queria mostrar onde guardou o resto.

No espelho do banheiro, embaçado por frio, surgiu uma indicação escrita de dentro para fora. Caixa de remédio. Júlia correu até o armário de Helena e encontrou um fundo falso com frascos, pendrives, recibos e um vídeo gravado por Clarice no celular antigo. A menina aparecia pálida, denunciando a mãe e dizendo que, se algo acontecesse, Tomás sabia do carrinho vermelho. Helena tentou arrancar o aparelho da mão de Júlia, escorregou na água e bateu a cabeça na quina da banheira. Ainda respirava quando as sirenes finalmente chegaram, chamadas por um vizinho que vira luzes piscando na Casa Azul inteira.

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