O Anuncio Errado O Namorado de Aluguel da Minha Mae · Capítulo 1 de 4
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O Anuncio Errado

Bia só queria impedir a mãe de casar com um dentista chamado Agenor, homem de sorriso fixo, camisa justa e currículo emocional composto por três ex-esposas furiosas. Dona Célia anunciara o noivado no almoço de domingo, entre a maionese e o pudim, dizendo que finalmente encontrara estabilidade. Bia, publicitária cansada e filha única em período integral, reconheceu estabilidade de golpe a vinte metros. O dentista falava de comunhão parcial com doçura, elogiava o apartamento antigo da mãe com frequência indecente e chamava Bia de menina, embora ela tivesse trinta e quatro anos, financiamento, gastrite e uma coleção respeitável de boletos vencidos.

A ideia do falso namorado nasceu de uma busca apressada na internet. Bia digitou acompanhante para evento familiar e clicou no primeiro anúncio sem ler direito. Esperava um ator discreto, talvez bonito o bastante para provocar ciúme em Agenor e educado o bastante para sumir depois do café. Recebeu Caio Barreto, professor de teatro infantil, quarenta anos, camisa estampada, sobrancelha irônica e uma sacola cheia de fantoches porque achou que a contratação era para animar aniversário. Quando Bia explicou o plano na portaria, ele disse que aquilo parecia crime pequeno com figurino ruim. Ela respondeu que pagava em dinheiro e oferecia coxinha.

Caio aceitou porque devia aluguel da sala onde dava aula e porque Agenor, visto pelo vidro do salão, tinha cara de quem corrigia garçom por esporte. Entrou no almoço dizendo que era namorado de Bia havia três meses, terapeuta corporal e herdeiro de uma fábrica de azeitonas no interior. Bia quase engasgou. Dona Célia adorou. Agenor odiou com intensidade mensurável. Em dez minutos, Caio elogiou a torta, chamou a mãe de Bia pelo nome certo e perguntou ao dentista qual era o regime de bens que ele recomendava a senhoras independentes. O silêncio que veio depois foi o primeiro momento feliz daquele domingo.

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