Contrato Encerrado O Namorado de Aluguel da Minha Mae · Capítulo 4 de 4
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Contrato Encerrado

Depois do fim de Agenor, o contrato de Caio perdeu função oficial. Bia tentou pagar o valor combinado, acrescentou bônus por humilhação pública e pediu desculpa pela fábrica de azeitonas, pela exposição da aula infantil e por ter transformado o domingo dele num laboratório de neurose familiar. Caio aceitou apenas metade, dizendo que a outra metade ficava como multa por ela ter fingido ser pessoa fria durante quatro semanas sem convencer ninguém. Bia riu, depois ficou séria rápido demais. Havia uma despedida se formando na mesa da padaria, entre café ruim e pão na chapa, e ela descobriu que não queria despedida.

Dona Célia resolveu fazer aniversário de setenta anos com tema liberdade tardia, expressão que inventou após duas taças de vinho e repetiu a semana inteira. Convidou Caio sem consultar Bia. Ele apareceu com flores de feira, camisa limpa e nenhum personagem. A festa teve samba antigo, bolo inclinado e parentes ainda comentando a farofa do anel. Bia e a mãe conversaram na varanda, pela primeira vez sem comando, acusação ou resgate. Célia admitiu que sentia medo de envelhecer sozinha. Bia admitiu que sentia medo de deixar a mãe escolher errado. As duas choraram pouco, porque maquiagem cara também é investimento.

No fim da noite, Caio ajudou Bia a recolher copos descartáveis e perguntou se ela precisava de namorado falso para a próxima crise. Bia respondeu que talvez precisasse de um namorado real para crises menores, cinema ruim e visitas ocasionais a mães libertas. Ele fingiu avaliar agenda, falou que podia oferecer pacote experimental sem fábrica de azeitonas e com direito a sinceridade incômoda. O beijo aconteceu no corredor do prédio, interrompido apenas pelo elevador abrindo com três tias dentro. Dona Célia, do salão, gritou que aprovava. Bia fechou os olhos, riu contra a boca de Caio e decidiu que algumas vergonhas compensavam o preço inteiro.

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