Manual de Mentiras Familiares O Namorado de Aluguel da Minha Mae · Capítulo 2 de 4
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Manual de Mentiras Familiares

O plano deveria acabar no mesmo dia, porém Dona Célia convidou Caio para jantar na quarta, almoço no sábado e uma visita ao cartório na segunda seguinte. Bia tentou dispensá-lo, só que a mãe havia desenvolvido afeição imediata pelo falso genro e passou a dizer que ele tinha olhos honestos, diagnóstico perigoso vindo de alguém que namorava Agenor. Caio, por sua vez, descobriu gosto em contrariar o dentista. Aparecia com flores baratas, histórias absurdas sobre a tal fábrica de azeitonas e perguntas muito objetivas sobre procuração, matrícula de imóvel e seguro de vida. Bia ficava ao lado, fingindo naturalidade com a competência de uma mulher prestes a sofrer colapso.

A convivência forçada revelou problemas que não estavam no anúncio. Caio era engraçado, atento e irritantemente bom em perceber quando Bia mentia para parecer no controle. Ela reclamava da mãe, do trabalho, de Agenor e do trânsito. Ele ouvia com paciência e respondia apenas quando tinha algo útil ou inconveniente a dizer. Numa noite de chuva, depois de um jantar em que o dentista tentou convencer Dona Célia a vender o apartamento para comprar uma chácara inexistente, Caio levou Bia até a garagem e perguntou quando ela parara de falar com a mãe e passara a administrar a mãe. Bia quis ofendê-lo. Encontrou razão demais na pergunta.

Agenor começou a investigar Caio após descobrir que nenhuma fábrica de azeitonas existia no sobrenome Barreto. Contratou o sobrinho para seguir o professor e fotografou uma aula infantil com quinze crianças usando coroas de papelão. No domingo seguinte, durante churrasco familiar, o dentista exibiu as fotos no celular com triunfo de vilão de condomínio. Caio ficou vermelho, Dona Célia riu achando que era apresentação artística e Bia decidiu dobrar a aposta. Disse que Caio escondia a carreira teatral por trauma de infância e que respeitava a jornada dele. O professor a encarou com ódio admirado. Agenor, derrotado pela mentira improvisada, pediu outra cerveja.

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