Tu a Paisagem n. 4 Pauliceia Desvairada · Capítulo 5 de 6
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Tu a Paisagem n. 4

Tu Morrente chama esgalga, mais morta inda no espírito ! Espirito de fidalga, que vive dum bocejo entre dois galanteios e de longe em longe uma chávena da treva bem forte !

Mulher mais longa que os pasmos alucinados das torres de São Bento ! Mulher feita de asfalto e de lamas de várzea, toda insultos nos olhos, toda convites nessa boca louca de rubores !

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Gostureirinha de São Paulo, ítalo-franco-luso-brasílico-saxónica, gosto dos teus ardores crepusculares, crepusculares e por isso mais ardentes, bandeirantemente ! Lady Macbeth feita de névoa fina, pura neblina da manhã ! Mulher que és minha madrasta e minha irmã ! Trituração ascencional dos meus sentidos ! Risco de aeroplano entre Mogi e Paris ! Pura neblina da manhã !

II '

Gosto dos teus desejos de crime turco e das tuas ambições retorcidas como roubos ! Amo-te de pesadelos taciturnos,

Materialização da Canaan do meu Poe ! Never more ! Emílio de Menezes insultou a memória do meu Poe Oli ! Incendiária dos meus alens sonoros ! tu és o meu gato preto ! Tu te esmagaste nas paredes do meu sonho ! êste sonho medonho ! ...

E serás sempre, morrente chama esgalga, meio fidalga, meio barregã, as alucinações crucificantes de todas as auroras de meu jardim !

Paisagem n. 3

Chove ? Sorri uma garoa cor de cinza, muito triste, como um tristemente longo. . . A casa Kosmos não tem impermeáveis em liquidação Mas nêste largo do Arouche posso abrir o meu guarda-chuva paradoxal, êste lírico plátano de rendas mar ...

Alí em frente. . . — Mário, põe a máscara ! — Tens razão, minha Loucura, tens razão. O rei de Tule jogou a taça ao m ar...

Os homens passam encharcados.. . Os reflexos dos vultos curtos mancham o p e t i t - p a v é . . . As rôlas da Normal esvoaçam entre os dedos da garoa (E si pusesse um verso de Crisfal No De Profundis ? ...) De repente um ráio de Sol arisco risca o chuvisco ao meio.

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Colloque Sentimental

Tenho os pés chagados nos espinhos das calçadas... Higienópolis !... As Babilónias dos meus desejos baixos. Casas nobres de estilo. . . Enriqueceres em tragédias.. Mas a noite é toda um véu-de-noiva ao luar !

A preamar dos brilhos das mansões. . . O jazz-band da co r... 0 arco-íris dos perfumes.. . O clamor dos cofres abarrotados de vidas. . . Ombros nús, ombros nús, lábios pesados de adultério.. E o r o u g e - cogumelo das podridões... Exércitos de casacas eruditamente bem talhadas. . .

— Vê ? Estas paragens trevas de silêncio Nada de asas, nada de alegria... A Lua. .. A rua toda^nua... As casas sem lu zes... E a mirra dos martírios inconscientes. . . — Deixe-me por o lenço no nariz. Tenho todos os perfumes de Paris ! — Mas olhe, em baixo das portas, a escorrer — Para os esgotos ! Para os esgotos ! — a escorrer um fio de lágrimas sem nome ! . ..

Religião

Deus ! creio em Ti ! Creio na tua Biblia ! Não que a explicasse eu mesmo, porquê a recebi das mãos dos que viveram as ilumina[ções !

Catolicismo ! sem pinturas de Calixto !

As humildades !...

No pôço das minhas erronias vi que reluzia a Lua dos teu perdoares !.

Rio-me dos Luteros parasitais e dos orgulhos soezes que não sabem ser orgulhos da [Verdade; e os mações, que são pecados vivos, e que nem sabem ser Pecado !

Oh ! minhas culpas e meus tresvarios ! E as nobilitações dos meus arrependimentos chovendo para a fecundação das Palestinas ! Confessar !... Nocturno em sangue do Jardim das Oliveiras !... Naves de Santa Ifigênia, os meus joelhos criaram escudos de defesa contra vós Cantai como me arrastei por vós ! Dizei como me debrucei sobre vós !

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Mas dos longínquos veio o Redentor ! E no poço sem fundo das minhas erronias vi que reiuzia a Lua dos seus perdoares !...

«Santa Maria, mãi de D eus...» A minha mãi-da-terra é toda os meus entusiasmos: dar-lhe-ia os meus dinheiros e minhas mãos também ! Santa Maria dos olhos verdes, verdes, venho depositar aos vossos pés verdes a corôa de luz da minha loucura !

Alcançai para mim a Hospedaria dos Jamais Iluminados !

Paisagem n . 4

Os caminhões rodando, as carroças rodando, rápidas as ruas s© desenrolando, rumor surdo e rouco, estrépitos, estalidos... E o largo côro de ouro das sacas de café !...

Na confluência o grito inglês da São Paulo Railway... Mas as ventaneiras da desilusão ! a baixa do café !... As quebras, as ameaças, as audácias superfinas !... Fogem os fazendeiros para o lar !... Cincinato Braga !... Muito ao longe o Brasil com seus braços cruzados... Oh ! as indiferenças maternais !...

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