Epigramma a Per amica silentia luna
Epigramma a Per amica silentia luna
XXI EPIGRAMMA SOBRE uma rosa aberta um besouro vem e vai... O vento chega. O besouro foge. E, folha a folha, a rosa se desfolha, e cãe...
XXII VERÃO TORPOR, monotonia, desalento! Às folhas de metal vibram na claridade; o ar morno dos caminhos entontece... Céo azul! Brilhos de mica, scintillações de esmalte, aroma de resinas...
Crepitações, zumbidos, trilos surdos. Lassidão!
XXIII A DANSA DAS FOLHAS COMO a chuva é subtil, sem eloquencia, calma, discreta, fina, cheia de pudor! Como a chuva é mansa, como a chuva é alma... Ao longo dos caminhos, rodopia, dansa um punhado de folhas, sem rumor...
XXIV PHILOSOPHIA REALIDADE é apenas um milagre da nossa fantasia... Transforma numa Eternidade o teu rapido instante de alegria! Ama, chora, sorri... e dormirás sem penas, porque foi bella a tua realidade...
XXV SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO LOUCA mariposa bate na vidraça. Vem da noite enorme, Vem da noite morna cheia de perfumes. Fóra, tudo dorme... Que silencio enorme!
Rondam pelas moitas leves vagalumes. Louca mariposa bate na vidraça. Como as horas fogem, como a vida passa...
XXVI EPIGRAMMA ENCHE o teu copo, bebe o teu vinho, emquanto a taça não cáe das tuas mãos... Ha salteadores amaveis pelo teu caminho. Repara como é doce o teu vizinho, repara como é suave o olhar do teu vizinho, e como são longas, discretas, as suas mãos...
XXVII PER AMICA SILENTIA LUNA... DOCE malicia do silencio quando apenas se ouve, aerea, fina, a voz das folhas humidas na noite, quando apenas se escuta a voz das aguas, a voz das aguas cristalina, o murmurio das aguas entre relvas. Doce malicia do silencio, quando o luar molha as plantas, quando os olhos ficam rasos de lagrimas e um triste sorriso paira no labio desdenhoso.
Doce malícia do silencio, quando a gente olha a vida, face a face, e sente o coração grave, pesado, como um fruto morto, como um fruto inutil que apodrece, e cãe...